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A Torre de Babel

"Asseguram os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa excepção."

Jorge Luís Borges, A Biblioteca de Babel

 

 

sexta-feira, julho 29, 2005

Um líder forte

quando ameaça, cumpre. É favor passar na garagem para deixar o veículo e levar este

Puxar dos galões


Cadê o folhetim? Posso ser obrigado a retirar a V. Exa. certos benefícios inerentes à função, como seja o pópó de serviço

quinta-feira, julho 28, 2005

Missiva

Ao cuidado do Ministro Alberto,

Eu sou licenciado em Direito e estou disponível para fazer uma perninha nos tribunais. Sempre achei que ficaria bem de beca. Mas com duas condições:
- Trabalho (e tempo de) igual para salário igual;
- Utilização daquela peruca bonita que vemos nos filmes norte-americanos e descricionariedade total para martelar, digo, percutir, a mesa durante as audiências.

Afinal são três condições... bem já pareco um juíz, nem sei quantas exigências faço... ou um político / ministro, pois também terei de discutir e meditar sobre este part-time com a minha família.

E também conheço um magano, já maduro, também licenciado em direito embora tenha sempre trabalhado em informática. Direito, só na Faculdade. Se calhar também está disponível. E seria uma bela aquisição, um verdadeiro Juíz Choque... Tecnológico.

O que importa é querer

Querer muito, mesmo mesmo muito.

E depois até podes ser um jogador quase invencível de jogos de vídeo. Mesmo que sejas cego de nascença.

Post redundante, sequencial e prenhe de significado

Hoje é quinta-feira.

quarta-feira, julho 27, 2005

Post redundante e prenhe de significado

Hoje é quarta-feira.

terça-feira, julho 26, 2005

Um pais adiado

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Porque sim

segunda-feira, julho 25, 2005

Jovem

licenciado, mestrando, bons hábitos de trabalho aceita proposta do estrangeiro. Para o que for ...

sexta-feira, julho 22, 2005

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes
[sai às quintas-feiras, quase sempre com atraso; a pontualidade é um estrangeirismo]

(continuação)

VI. ENVENENAMENTO
Nem sempre se tem presente que o crime é o resultado de um relevo excessivo atribuído às memórias, que são quase sempre geradas pela imaginação e prestam à verdade dos factos uma vassalagem tão fiel como a dos sonhos, quando muito. No rigor dos princípios da metafísica, o crime não existe, uma vez que não seja descoberto; isso a que chamamos mentira, desonestidade, torpeza, e por aí fora, é o resultado da sua revelação somente. Othello preferiria não ter sabido da traição: esta informação, se pensarmos nisso, não chega a ser surpreendente, porque o mouro, desde que adquirira conhecimento certo dos beijos de Desdemona, não pudera já esquecê-los; e era certo - notem - esse conhecimento, apesar da fidelidade da veneziana (não interessa agora se contrafeita). Iago ficcionava um adultério e a sua fábula logo se convolava na realidade de um crime. Por isto também, e conversamente, o crime é acontecido sempre que acreditarmos nisso, e a sua perpetração passa a constar do rol dos eventos de que vamos compondo o nosso mundo de factos lembrados.
Pedro pensava assim. Em dados aspectos, era Pedro uma espécie de Iago invertido (sem trocadilho); fabricava atenuantes e causas de exculpação que lhe serviam de alibi para ocasiões em que o arguíssem de qualquer delinquência, e nunca confessava fosse o que fosse. As confissões são muitas vezes motivadas por um gosto pelo teatro e pelas cenas espectaculares em que se tem a oportunidade de figurar como protagonista, e muito menos pelo remorso; e Pedro, que nunca experimentava remorsos, não era de modo completo uma drama queen.
Isto habilitava-o a desempenhar um grande número de acrobacias de que sempre se saía bem. Por exemplo: era capaz de lançar, numa tradução de um poema, um substantivo ou um verbo que não se filiavam no original; fazia-o por desfastio, ou se a métrica ou a rima lho sugeriam, mas sempre com discrição, para não denunciar a autoria desse acto de infidelidade ao ofício plagiário dos tradutores; e sabia que para muitos leitores o poema veicularia com perenidade aquela palavra mendaz que poderia vir a ter as suas consequências funestas, como um veneno que labora com paciência. E, no que agora nos traz interessados, conseguira executar a notável proeza circense de deitar-se com o marido de Margarida (que horrorosamente se chamava Fernando) e de seguir mantendo com ela, do mesmo passo, a prática regular de uma amizade que prezava até certo ponto sem que visse razão para lhe pôr termo. Apesar de Pedro e Fernando se terem reconhecido logo à porta da casa daquele, não deixaram que essa surpresa lhes fosse impediente da satisfação que ambos desejavam; e o secretismo desse encontro foi coisa que nem sequer necessitou combinação, porque resultava de uma aplicação directa das regras de silêncio que disciplinam o cruising e a sua consumação. No dia seguinte, Pedro encontrara-se com Margarida e almoçaram como se nada fosse: do registo criminal de Pedro não constava inscrição alguma.
O leitor já soube que Fernando se vira - eu diria que involuntariamente - lançado numa paixão que o subjugara a Pedro, e em nome da qual ele se dispunha a dissolver o casamento, a profissão e o que mais houvesse numa vida que até então não conhecera sobressaltos emocionais; consultara a agenda de Margarida e enviava a Pedro sms insensatos que ficavam sempre sem resposta. Há casos assim; sedimentava-se, grão a grão, o desespero de um amor acossado, para o qual Fernando não via uma porta de saída que lhe autorizasse um retorno à sua vida de decepção mas que tinha muito de reconfortante.
E aqui tem o leitor como foi tomando densidade, neste folhetim, uma cumulação de vapores inflamáveis que ameaça deflagrar a todo o momento: na próxima semana, provavelmente.

(continua)

quinta-feira, julho 21, 2005

Por caridade

Tirem daqui a fragmentação do Sr. Ministro das Finanças. Quase sempre sem atraso, é?

Campos e Cunha kaput

quarta-feira, julho 20, 2005

Absolutamente evidente

Policias que não passam multas. O sindicato diz que "é normal".

Espera-se ansiosamente por professores que não dêem notas, médicos que não operem, bombeiros que deixem arder, etc.

Beco sem saída

Nos blogs abundam, e aquele que ora se confessa é um deles, pessoas que se interessam pelo nosso destino colectivo enquanto país. Abundam ainda pessoas cheias de boas intenções, ideias originais (umas melhores, outras piores, pensar sempre foi um desporto de alto risco), vontade de fazer alguma coisa. Algumas até são as mesmas (não é o caso).

O problema é que, para além de nos entretermos uns aos outros, parece-me, pouco mais se faz com um impacto real no país. A participação política activa, enoja (isso mesmo, enoja) a maior parte destes puristas da ideia. À mais remota possibilidade de qualquer tipo de filiação respondem, por via de regra, com horror.

Os partidos, dizem(os), estão irremediavelmente comprometidos com tudo menos com o interesse nacional. Assim sendo, não vale a pena tentar pertencer-lhes.

Vamos antes falar do que tem de mudar, de como se devem tomar as decisões, quais os interesses a ponderar, etc.

Mas, vou-me apercebendo, assim sendo nada podemos fazer. A não ser falarmos uns para os outros. Convertidos a converterem outros convertidos. Não é que não seja engraçado, só que não é produtivo.

Eu cá

Admito não votar nas eleições presidenciais se nelas não concorrer um candidato que não seja de direita.

terça-feira, julho 19, 2005

Não concedendo






E que tal estado de necessidade desculpante.

Justificação de faltas: "Ausência forçosa do país para evitar a efectivação da prisão preventiva". Não dá?

segunda-feira, julho 18, 2005

Uma coisa que não entendo

Bom, uma é eufemistico (palavra que pode ou não ser acentuada, sendo que, de momento, não me lembro e não vou ver). Há uma catrefada de coisas que eu não percebo. A primeira das quais é a minha própria pessoa. Aspecto de somenos, o que sempre se pode provar, se a alguém fizer falta tal prova, do que se dúvida, atendendo a que questões deste foro são normalmente (des)tratadas por psicólogos e quejandos. Enfim, claudico. Ou melhor, disperso-me. Ou, talvez mais escorreitamente, estou (sou?) disperso. Em todo o caso, tenho a leve remniscência de que ia falar de alguma coisa. Não qualquer uma, note-se, uma que eu não entendo (está ali em cima no título). Ah ... sim, já sei.

Há uma coisa que não entendo: porque é que ainda ninguém percebeu que o novo terrorismo que nos tem sido imposto sob a forma da morte e mutilação de inocentes não é ditado por qualquer considerando político ou social, é apenas e tão só um problema de índole religiosa. Os infiéis somos nós, e por isso temos de morrer. Que se pense que é possível negociar com esta gente é de uma ingenuidade que não cessa de me espantar.

O Harry Potter and the Half-Blood Prince

deu-me uma tarde simpática e um início de semana de trabalho mais tolerável.

O novo rei da literatura light (fashion) esmagou segundo esta notícia o anterior. Parece que Harry Potter vendeu mais livros num dia que o Código Da Vinci num ano inteiro.

Acto falhado

Não propriamente "quase sempre sem atraso", mas mais propriamente, "fashionably late". Ainda assim, obrigado.

sexta-feira, julho 15, 2005

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes
[sai às quintas-feiras, quase sempre sem atraso]

(continuação)

V. PRISIONEIRO DE GUERRA

Entre mim e o leitor há assuntos por esclarecer. Estamos ainda na mesma terça-feira, que vem espraiada já por cinco semanas em que nos ocupámos da explicação dos feitios das personagens, e não tanto da crónica dos factos; mas eu julgo que hoje os leitores de folhetins não se preocupam muito com a ventura, digamos, de órfãos imaginários, nem possuem uma sensibilidade que lhes dê para sofrer de fastio ou de insónias enquanto não apareçam as cenas dos capítulos próximos. Há vida para além dos folhetins, louvado seja Zeus.
Neste momento, pela hora costumada, José aproxima-se enfim do seu destino, e os leitores recordar-se-ão talvez de que hoje é dia de mais fome.
Não há grande felicidade, como sabem, em alimentar-se alguém quotidianamente numa sopa dos pobres - que é ainda um resquício dos tempos em que a providência pública acudia com mais largueza às carências das gentes, oferecendo serviços utilíssimos que incluíam rodas para depósito de enjeitados e outras benfeitorias. No caso de José, porém, o infortúnio extremava-se: trazia-lhe menos sofrimento o ser pobre (a pobreza in re ipsa, se quisermos falar filosoficamente) do que o ter de comer dessa sopa que não era com exactidão uma instância da alta cozinha. Se neste folhetim houver causa para que o leitor piedoso verta duas ou três lágrimas, pois há-de ser esta: José gostava de comida como um padre gosta de escolas primárias. Logo pelos primeiros anos de sua juventude (na época em que ainda se acolhia ao tecto paterno que mais tarde viria a abandonar) dera-se no espírito de José como que uma epifania do garfo: alcandoravam-no ao êxtase a cabidela de galo capão ou o vol-au-vent de perdiz, o soufflé de bacalhau, a cassata napolitana feita em casa com grande aparato de natas e frutas frescas e vagens de baunilha, o pudim de ervilhas, as fatias de Tomar que se coziam numa panela especial que não servia senão para isso. Naqueles tempos, José chegava mesmo a jantar duas e três vezes na mesma noite, fazendo visitas às casas de suas tias, que ordenava segundo os horários (todos diferentes, mas sempre certos) por que se regiam essas mesas familiares. Tocava à campainha assim por volta das nove horas, como se estivesse de passagem, e fazia-se sempre surpreendido pelo convite.
- Entra, entra, Josezinho. Íamos agora começar a jantar: tu já comeste?
- Ainda não, tia.
- Então jantas connosco.
Mandava-se pôr mais um prato na mesa, e passados uns quarenta minutos José estava de novo na rua, trotando apressado em direcção ao bairro em que vivia uma outra tia em cuja casa se jantava só às dez horas da noite, porque o marido, que era advogado ou arquitecto, chegava mais tarde do escritório.
- Já jantaste, rapaz?
- Não, tia.
E tudo isto se perdera depois que José desertara do lar, deserção de que o leitor já tem conhecimento e que se fizera irreversível por causa do seu orgulho e da inflexibilidade de seu pai. Mas dessas excelentes comezainas José conservara memórias nítidas, bem como um palato apurado para os temperos e as ervas-de-cheiro que ainda hoje exercitava em conversa com as senhoras que distribuíam a sopa aos pobres.
- Então, senhor José? Que lhe pareceu a sopinha de ontem?
- Estava bem, dona Ema, estava bem. Mas há-de experimentar deitar-lhe uns raminhos de hortelã. Depois me dirá.
José, pois, vem chegando; e Álvaro aguarda já por ele, na esquina em que se encontram todos os dias. Este Álvaro, amigo de José, é pobre também, e frequentador da mesma sopa; só que muito mais feliz: não é um apaixonado das trufas ou da bouillabaisse, mas do vinho; e, por não ser esquisito, contenta-se com facilidade: qualquer líquido lhe dá alegria, posto que fermentado da uva. Álvaro lamentava apenas que a generosidade das Misericórdias nunca tivesse levado a que se instituísse o vinho dos pobres, ou coisa que o valha; e os amigos tratavam-no por Alvarinho, o que ele não levava a mal. Álvaro cumprimentou José com um aperto de mão.
- Até que enfim; vamos andando, que eu estou cheio de fome.
- Hoje é terça-feira, Alvarinho: vai tu, que eu fico aqui à espera.
E é chegado o momento de saberem os leitores por que razão não se atreve José a entrar na sopa dos pobres às terças-feiras. O caso é simples, e tem mesmo - diria eu, se não me arriscasse a incorrer em redundância literária - o seu quê de folhetinesco. Os leitores já foram informados de alguns sucessos que, se forem unidos na imaginação, lhes darão uma pintura quase completa das causas daquele insólito comportamento de José. Estarão de certo recordados da senhora Maria, que também vinha pela rua nesta terça-feira. Maria, uma vez por semana e há já uns meses, ajuda na distribuição da comida pelos pobres, praticando graciosamente essa caridade que também a entretém. Pois bem: na primeira terça-feira em que viu Maria atrás da bancada, José reconheceu-a em poucos instantes, apesar de não a ver havia muitos anos; e conseguiu sair, azafamadamente, sem que Maria desse por coisa alguma.
Maria era a criada de Amélia nos tempos em que José, por amor desta, decidira contradizer os decretos paternos; e talvez - pensou José, acertadamente - o fosse ainda. Se Maria o visse, logo daria conta a Amélia de que José sobrevivia a expensas de esmolas públicas. Ora José e Amélia não se falavam nem encontravam ia para mais de trinta anos, e a José não lhe interessava substituir a lembrança, boa ou má, que Amélia pudesse guardar dele pela imagem actualizada de um indigente andrajoso e sem ocupação. Maria vinha às terças-feiras auxiliar a servir a comida aos pobres, e nesses dias José deixara de comer. Orgulho, mais do que vergonha: eis o motivo que, no espírito de José, vencera a fome e a vontade de comer.
E todavia, nas últimas terças-feiras, José vinha rondando o edifício durante a hora do almoço, com um propósito só recentemente formulado mas que, por falta de coragem, não conseguira ainda executar. Decidira afinal anunciar-se a Maria, surpreendendo-a à saída da sopa dos pobres, e entregar-lhe um envelope que trazia no bolso. Dentro do envelope estava uma carta para Amélia.
(continua)

Não percebi

Qual a razão para o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique importar 1.860 camisolas dos "3 grandes" (1.260 camisolas do Sporting, 375 do FC Porto e 225 do Benfica)? E depois arrependeu-se???

Moçambique - Leiloadas camisolas clubes portugueses importadas por MNE

"Maputo, 15 Jul (Lusa) - Um lote com 1.860 camisolas do Benfica, FC Porto e Sporting foi leiloado esta semana pelas alfândegas moçambicanas, após a mercadoria ser abandonada pelo importador, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique (MINEC).
A estranha importação, seguida de abandono, foi hoje noticiada pelo semanário Savana, que refere que, além das camisolas dos principais clubes portugueses, o MINEC abandonou igualmente na alfândega roupas para bebés, DVD, livros e cigarreiras, entre outros.
Ouvida pelo jornal, uma fonte do MINEC afirmou desconhecer a situação, mas um anúncio publicado pela Direcção Regional Sul da Direcção Geral das Alfândegas de Moçambique identifica claramente as mercadorias que foram a hasta pública.
De acordo com esses dados, o MINEC importou 1.260 camisolas do Sporting, 375 do FC Porto e 225 do Benfica, representando direitos alfandegários avaliados em cerca de sete mil euros.
Os clubes portugueses estão na frente das preferências dos adeptos moçambicanos, que assistem aos jogos da Superliga através das emissões da televisão pública de Moçambique, TVM, ou da RTP-África.
Apesar de ter o lote menos numeroso de camisolas importadas pelo MINEC, o Benfica é o clube mais popular, graças às antigas "estrelas" Eusébio, Coluna e Costa Pereira, naturais do país quando este ainda era uma colónia portuguesa.
A vitória "encarnada" no último campeonato foi saudada com grande entusiasmo em Maputo e nas principais cidades de Moçambique."


Quem é que eles pensam que são?

Ouvi na TSF, à hora de almoço, que os agricultores pretendem, mais uma vez, recorrer ao crédito para cobrir os prejuízos do ano, em que tiveram mais despesa do que receita, sendo que boa parte da despesa tem a ver com o pagamento dos empréstimos pedidos noutros anos. Mais do mesmo, portanto.

Ora eu tinha para mim que Portugal já tem uma entidade assim, que se endivida para pagar as dívidas que já tinha e que não consegue pagar: o Estado. E já chega!
XMail Hard Drive

E a conta do Gmail passa a poder ser utilizada como uma network drive.

Numa palavra: "Outstanding"

57th Annual EMMY Awards: as grandes nomeadas

Outstanding Drama Series
The West Wing - NBC




Outstanding Comedy Series
Desperate Housewives - ABC

Coisas que não têm (de certeza) nada a ver

A greve da função pública e a quase total ausência de posts no Blasfémias (são 11:22 e só lá há um postezinho).

Evidências

Para se poder ser lido tem, primeiro, de se escrever.

E, sim, posso compreender que haja atenuantes. Como o facto de ser verosimil que possas estar retido numa coisa destas, contra a tua vontade, pelos próximos 150 anos:



quinta-feira, julho 14, 2005

Eu de facto não entendo as mulheres...

Em especial as americanas. Basta ver esta lista dos 10 carros que elas preferem.

Destaco, em 2.º lugar, o Suzuki Forenza e em 8.º, 9.º e 10.º estas pérolas:
8. Chrysler PT Cruiser convertible
9. Kia Rio sedan
10. Kia Optima

Eu podia tentar encontrar imagens dos automóveis mas tenho medo de cegar.

Já os homens têm um gosto impecável, mesmo nos Estados-Unidos. A prova? O Porsche 911 (modelos diferentes) aparece em 1.º e 10.º da lista.

E sim, o Porsche é sempre preferível na versão coupé.

A ser verdade

é grave o que aqui se escreve:

Era dos nervos

Teresa Sousa, ex-funcionária da PGR, foi condenada a quatros e meio de prisão. O juiz desvalorizou a ameaça que a arguida fez, durante as alegações finais, de que, caso fosse condenada, incriminaria elementos do Ministério Público. «Vamos esquecer a ameaça, partindo do princípio que estaria nervosa em excesso», declarou José Eduardo Martins.

Um mezinho passado

Convém reiterar, por causa disto, convém ter à mão os apontamentos, não se vá dar o caso, sobre o que é e significa a deflação.

Última Hora

quarta-feira, julho 13, 2005

Um outro mundo existe

Isto de vivermos aqui fechados no rectângulo, por vezes, limita-nos a visão. E, Portugal diz-se, e até é verdade, que toda e qualquer empresa pública é geradora de desperdício de dinehrio, dívidas gigantescas e atraso tecnológico. Mas isso não é sempre verdade.


A empresa que faz este e muitos outros pópós é uma empresa que tem capitais públicos ...

Garbage in, garbage out

Uma notícia mal feita, um blogger apressado. Duas asneiras.

O que o estudo diz (e cito a segunda metade da notícia, que ninguém leu):

"Nelson Lima referiu que as cerca de 1.100 crianças entre os três e os 12 anos que o Instituto da Inteligência estudou desde a sua fundação, em 1997, apresentaram uma clara apetência genética para a matemática (cerca de 500) ou para as letras (600)."

Ou seja, há crianças mais motivadas para letras e outras para as matématicas. Uma enorme novidade. Ninguém, diz, nem os autores do estudo (ilustres desconhecidos, por ignorância minha), que as 600 com mais predisposição para letras não são capazes de aprender matemática de liceu. Só nunca serão génios nessa área.

terça-feira, julho 12, 2005

Olhe que não, olhe que não, meu caro anónimo viperino

"A sua mãezinha também deve considerar que o/a 'irreflexões' é o/a supra-sumo 'do pingarelho'..!!"
Tinha ideia de que se dizia o supra-sumo da batatinha ou coisa que o valha. E, ademais, não se compreende de todo o também. Mas pronto, sempre foi um dos melhores insultos que recebi.

Post absolutamente extemporâneo

Depois de escrever esta prosa sobre o cada vez mais infame Presidente do Governo Regional da Madeira tinha intenções de a ilustrar devidamente, para que ninguém se esquecesse de quem é que estávamos a falar. Depois passou-me. Mas um tal galeria de imagens merece melhor destino. Aqui fica, estruturalmente organizada em:

Informal















Formal

É sempre bom

A verdade raramente vem à tona

Neste país. Mas, neste caso, como as comadres decidiram zangar-se na praça pública (aqui e aqui) pode ser que os mais incautos comecem a perceber quão prostituidos estão os nossos meios de comunicação social.

Está assegurada

segunda-feira, julho 11, 2005

Post para cumprir calendário

Já está.

domingo, julho 10, 2005

Teoria da conspiração

Ainda em ritmo de fim-se-semana

Recomenda-se a primeira análise verdadeiramente estruturada do que se passou em Londres, na Newsweek.

sexta-feira, julho 08, 2005

Se calhar esta citação é mais apropriada...

Porque é bom rirmo-nos de nós próprios e porque me revejo aqui e ali...

Leiam isto. Para garantir que lêem nem que seja um bocadinho aqui fica a citação da praxe:

"Blogger: Term used to describe anyone with enough time or narcissism to document every tedious bit of minutia filling their uneventful lives. Possibly the most annoying thing about bloggers is the sense of self-importance they get after even the most modest of publicity. Sometimes it takes as little as a referral on a more popular blogger's website to set the lesser blogger's ego into orbit.

Then God forbid a blogger gets mentioned on CNN. If you thought it was impossible for a certain blogger to get more pious than he was, wait until you see the shit storm of self-righteous save-the-world bullshit after a network plug. Suddenly the boring, mild-mannered blogger you once knew will turn into Mother Theresa, and will single handedly take it upon himself to end world hunger with his stupid links to band websites and other smug blogger dipshits."

Leitura recomendada

Serviço Público: Humor

Não confundir por favor

Não é de cariz ideológico, é de cariz religioso.

quinta-feira, julho 07, 2005

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes
[sai às quintas-feiras]

(continuação)

IV. OS PASSOS EM FALSO

O leitor há-de ter percebido que, por estas horas, já pusemos na rua duas personagens. Não me esqueceu isso; por retardamento meu, perdemo-las de visão, mas não do cuidado. Voltemos, pois, a acertar o passo com José, e ainda o apanhamos a meio do caminho.
José quem era? Para poder começar a conhecê-lo, o leitor deverá trazer no pensamento que, por vezes, dois ou três passos em falso são suficientes para que uma vida inteira se ponha de viés perpetuamente e sem remédio. Eu julgo que isto, que não é novidade, não deve de ser factor de espanto (nem sequer no espírito do leitor aspergido pela felicidade, se algum houver); mas José sabia-o de ciência certa, que é a ciência dada pela experimentação repetida que depressa confirma as piores hipóteses.
Muitos anos atrás, os laços de família eram quase inquebrantáveis: dissolviam-se por razões taxativamente enumeradas, e por nenhuma outra. A um marido ou a um filho tolerava-se muito: amantes, prodigalidades, sevícias e até pequenos furtos. Mas não eram consentidas quaisquer infracções ao código das regras que, conquanto não escritas, asseguravam a sobrevivência de um nome, mais que a pureza dos genes. Quando da juventude de José, não corriam já os tempos de feição a que seu pai o trouxesse destinado a casar-se com uma prima em terceiro grau, ou o que fosse; porém, aos dezanove anos, José anunciara, ao jantar, um propósito amoroso que se subsumia a esse catálogo dos delitos familiares para os quais não havia perdão nem amnistia. O pai permanecera em silêncio, o que era já uma resposta. Todos continuavam comendo; e a mãe e as irmãs de José aguardavam, de olhos rebaixos, um remate mais definitivo para aquele duelo em que não podiam tomar partido. Quando enfim depôs a colher de sopa, e sem olhar para José, o pai pôs na voz um tom de veredicto inapelável.
- Filhos de minhas filhas, meus netos são; filhos de meu filho, serão ou não.
Isto, para José, não foi uma desilusão: foi antes a confirmação de uma ameaça com que ele contara e que julgava necessária como formalização da guerra. Também o pai de José já tinha conhecimento, porque lho haviam relatado sem grande adulteração de factos, de que seu filho costumava demorar-se muito por casas nocturnas em que se bebia vinho espumoso e se cantava o fado, e onde era possível, por pouco ou nenhum dinheiro, passar umas horas na companhia de mulheres capazes de esgueirar-se pelas ruas de Alfama com o desembaraço de um ladrão munido de chaves falsas. O que o pai de José não sabia era que Amélia, que então contava quarenta e poucos anos, não pertencia perfeitamente a esse lote de cortesãs avinhadas; e não chegaria a sabê-lo alguma vez, pois José abandonou a casa familiar e nunca mais regressou.
Aos dezanove anos, a imprudência de José mostrou-se sobretudo no facto de ter ele arriscado uma libertação sem primeiramente assegurar que, uma vez evadido do cárcere paterno, poderia, com os langores de um amor proscrito, desforrar-se por completo dessa orfandade em que ingressava pelo seu próprio pé. Este primeiro passo em falso não derivou do ingénuo romantismo que o conduziu a uma dissidência muito teatral (e que, depois, lhe valeria uma deserdação de que o leitor virá ainda a ter notícias): esteve, isso sim, em convencer-se José erroneamente de que o seu amor era reciprocado em condições de estrito equilíbrio.
No esmero com que Amélia o iniciara nas beatitudes da lascívia vira José a significação de um sentimento de mais profundidade. E contudo para desfazer esse erro sobre a extensão dos afectos de Amélia não teria sido necessário muito: bastaria tê-lo perguntado à própria Amélia, apenas isso.
(continua)

Porque eu gosto de cinema e porque me dá a oportunidade de fazer um post gigantesco.

"The Directors' Cut: Film-Makers Choose Their Favourite Movies

QUENTIN TARANTINO

1. The Good, the Bad and the Ugly (Leone, 1966)
2. Rio Bravo (Hawks, 1959)
3. Taxi Driver (Scorsese, 1976)
4. His Girl Friday (Hawks, 1939)
5. Rolling Thunder (Flynn, 1977)
6. They All Laughed (Bogdanovich, 1981)
7. The Great Escape (J Sturges, 1963)
8. Carrie (De Palma, 1976)
9. Coffy (Hill, 1973)
10. Five Fingers of Death (Chang, 1973)

TIM ROBBINS

1. The Battle of Algiers (Pontecorvo, 1965)
2. The Clowns (Fellini, 1971)
3. Don't Look Back (Pennebaker, 1967)
4. The Lower Depths (Kurosawa, 1957)
5. McCabe & Mrs Miller (Altman, 1971)
6. My Man Godfrey (La Cava, 1936)
7. Nashville (Altman, 1975)
8. Network (Lumet, 1976)
9. Underground (Kusturica, 1995)
10. Waiting for Guffman (Guest, 1996)

PAUL VERHOEVEN

1. La Dolce Vita (Fellini, 1960)
2. Ivan the Terrible, Part II (Eisenstein, 1958)
3. Lawrence of Arabia (Lean, 1962)
4. Rashomon (Kurosawa, 1951)
5. Vertigo (Hitchcock, 1958)
6. The Seventh Seal (Bergman, 1956)
7. La Règle du Jeu (Renoir, 1939)
8. Metropolis (Lang, 1927)
9. Los Olvidados (Buñuel, 1950)
10. Some Like It Hot (Wilder, 1959)

GILLIAN ARMSTRONG

1. Citizen Kane (Welles, 1941)
2. Raging Bull (Scorsese, 1980)
3. La Strada (Fellini, 1954)
4. The Godfather Part II (Coppola, 1974)
5. Rashomon (Kurosawa, 1951)
6. Chinatown (Polanski, 1974)
7. Bicycle Thieves (De Sica, 1948)
8. 8 1/2 (Fellini, 1963) 9. Singin' in the Rain (Kelly, Donen, 1952)
10. Vertigo (Hitchcock, 1958)

BERNARDO BERTOLUCCI

1. La Règle du Jeu (Renoir, 1939)
2. Sansho Dayu (Mizoguchi, 1954)
3. Germany, Year Zero (Rossellini, 1947)
4. A Bout de Souffle (Godard, 1959)
5. Stagecoach (Ford, 1939)
6. Blue Velvet (Lynch, 1986)
7. City Lights (Chaplin, 1931)
8. Marnie (Hitchcock, 1964)
9. Accattone (Pasolini, 1961)
10. Touch of Evil (Welles, 1958)

JOHN BOORMAN

1. Seven Samurai (Kurosawa, 1954)
2. The Seventh Seal (Bergman, 1956)
3. 8 1/2 (Fellini, 1963)
4. That Obscure Object of Desire (Buñuel, 1977)
5. Dr Strangelove (Kubrick, 1963)
6. Citizen Kane (Welles, 1941)
7. Sunset Blvd (Wilder, 1950)
8. Solaris (Tarkovsky, 1972)
9. La Roue (Gance, 1923)
10. The Birth of a Nation (Griffith, 1915)

JIM JARMUSCH

1. L'Atalante (Vigo, 1934)
2. Tokyo Story (Ozu, 1953)
3. They Live by Night (N Ray, 1949)
4. Bob le flambeur (Melville, 1955)
5. Sunrise (Murnau, 1927)
6. The Cameraman (Sedgwick, 1928)
7. Mouchette (Bresson, 1967)
8. Seven Samurai (Kurosawa, 1954)
9. Broken Blossoms (Griffith, 1919)
10. Rome, Open City (Rossellini, 1945)

MILOS FORMAN

1. Amarcord (Fellini, 1973)
2. American Graffiti (Lucas, 1973)
3. Citizen Kane (Welles, 1941)
4. City Lights (Chaplin, 1931)
5. The Deer Hunter (Cimino, 1978)
6. Les Enfants du Paradis (Carné, 1945)
7. Giant (Stevens, 1956)
8. The Godfather (Coppola, 1972)
9. Miracle in Milan (De Sica, 1951)
10. Raging Bull (Scorsese, 1980)

CATHERINE BREILLAT

1. Ai No Corrida (Oshima, 1976)
2. Sawdust and Tinsel (Bergman, 1953)
3. Baby Doll (Kazan, 1956)
4. Lost Highway (Lynch, 1996)
5. Vertigo (Hitchcock, 1958)
6. Salo (Pasolini, 1975)
7. L'Avventura (Antonioni, 1960)
8. Ordet (Dreyer, 1954)
9. Lancelot du Lac (Bresson, 1974)
10. 10 (Kiarostami, 2002)

CAMERON CROWE

1. The Apartment (Wilder, 1960)
2. La Règle du Jeu (Renoir, 1939)
3. La Dolce Vita (Fellini, 1960)
4. Manhattan (Allen, 1979)
5. The Best Years of Our Lives (Wyler, 1946)
6. To Kill a Mockingbird (Mulligan, 1962)
7. Harold and Maude (Ashby, 1971)
8. Pulp Fiction (Tarantino, 1994)
9. Quadrophenia (Roddam, 1979)
10. Ninotchka (Lubitsch, 1939)

SAM MENDES

1. Citizen Kane (Welles, 1941)
2. Fanny and Alexander (Bergman, 1982)
3. The Godfather Part II (Coppola, 1974)
4. The Piano (Campion, 1993)
5. The Red Shoes (Powell, Pressburger, 1948)
6. Sunset Blvd (Wilder, 1950)
7. 2001: A Space Odyssey (Kubrick, 1968)
8. Taxi Driver (Scorsese, 1976)
9. Vertigo (Hitchcock, 1958)
10. The Wizard of Oz (Fleming, 1939)

LUKAS MOODYSSON

1. Bicycle Thieves (De Sica, 1948)
2. Fanny and Alexander (Bergman, 1982)
3. Gummo (Korine, 1997)
4. La Haine (Kassovitz, 1995)
5. The Last Picture Show (Bogdanovich, 1971)
6. The Mirror (Tarkovsky, 1975)
7. On the Waterfront (Kazan, 1954)
8. Riff-Raff (Loach, 1990)
9. Secrets & Lies (Leigh, 1996)
10. Where Is My Friend's House? (Kiarostami, 1987)

MIKE NEWELL

1. The Apartment (Wilder, 1960)
2. Bad Day at Black Rock (J Sturges, 1955)
3. Fanny and Alexander (Bergman, 1982)
4. La Grande Illusion (Renoir, 1937)
5. Kind Hearts and Coronets (Hamer, 1949)
6. Lacombe Lucien (Malle, 1974)
7. The Leopard (Visconti, 1963)
8. My Darling Clementine (Ford, 1946)
9. Notorious (Hitchcock, 1946)
10. War and Peace (Vidor, 1956)

TERRY JONES

1. Annie Hall (Allen, 1977)
2. Apocalypse Now (Coppola, 1979)
3. Duck Soup (McCarey, 1933)
4. Fanny and Alexander (Bergman, 1982)
5. Groundhog Day (Ramis, 1993)
6. Guys and Dolls (Mankiewicz, 1955)
7. Jour de Fête (Tati, 1949)
8. Napoléon (Gance, 1927)
9. The Pathfinder (Salkow, 1952)
10. Steamboat Bill, Jr (Riesner, 1928)

MICHAEL MANN

1. Apocalypse Now (Coppola, 1979)
2. Battleship Potemkin (Eisenstein, 1925)
3. Citizen Kane (Welles, 1941)
4. Dr Strangelove (Kubrick, 1963)
5. Faust (Murnau, 1926)
6. Last Year at Marienbad (Resnais, 1961)
7. My Darling Clementine (Ford, 1946)
8. The Passion of Joan of Arc (Dreyer, 1928)
9. Raging Bull (Scorsese, 1980)
10. The Wild Bunch (Peckinpah, 1969)

KEN LOACH

1. A Bout de Souffle (Godard, 1959)
2. The Battle of Algiers (Pontecorvo, 1965)
3. A Blonde in Love (Forman, 1965)
4. Bicycle Thieves (De Sica, 1948)
5. Closely Observed Trains (Menzel, 1966)
6. Fireman's Ball (Forman, 1967)
7. Jules et Jim (Truffaut, 1962)
8. La Règle du Jeu (Renoir, 1939)
9. The Tree of the Wooden Clogs (Olmi, 1978)
10. Wild Strawberries (Bergman, 1957)

SIDNEY LUMET

1. The Best Years of Our Lives (Wyler, 1946)
2. Fanny and Alexander (Bergman, 1982)
3. The Godfather (Coppola, 1972)
4. The Grapes of Wrath (Ford, 1940)
5. Intolerance (Griffith, 1916)
6. The Passion of Joan of Arc (Dreyer, 1928)
7. Ran (Kurosawa, 1985)
8. Roma (Fellini, 1972)
9. Singin' in the Rain (Kelly, Donen, 1952)
10. 2001: A Space Odyssey (Kubrick, 1968)"

Listas retiradas deste jornal estrangeiro.

O novíssimo candidato a apresentador do Levanta-te e ri ou dos malucos do riso.

E porque o vernáculo também é português

Filhos da puta.

Blood on the outside of the British Medical Association building, near a bus blast in central London Wednesday July 7, 2005, where the wall was splattered with blood to a height of around 15ft (4.5 metres) .

(c) AP Photo/PA, Sean Dempsey

quarta-feira, julho 06, 2005

A horas desta feita?

Mais um uso para esta coisa. Bate aos pontos o e-mail.

Corrigido: Serve para a mesma coisa que o e-mail. Não produz qualquer efeito.

Liberalismo à esquerda

Há muito tempo que luto por esta ideia. Que acredito nela. é o que sou, bem ou mal.

A questão não é nova (de todo, basta ver este antigo texto do Rui A., então Cataláxia, em que debatiamos já estas questões)

Mantenho a minha ideia central.

O homem tem limitações quanto ao que pode conhecer e apreender; tem, também, limitações quanto ao seu carácter e à sua abnegação em favor do todo social, ditadas por um egoísmo genético.

Provado que está que o mercado funciona melhor - em regra - por si, sendo mais eficiente e gerando mais riqueza, não vejo como se possa ser socialista, ter preocupações sociais, e não defender o mercado livre.

Provado que está que a "mão invisível" é cega e que, na sua busca de eficiência não é dirigida senão pela soma dos limitados conhecimentos dos participantes no mercado, orientados pelo seu egoísmo, e que destas situações resulta por vezes o mau funcionamento do mercado (ineficiência produtiva) ou a criação de desigualdades sociais (ineficiência alocativa) não vejo como se possa ser liberal, ter preocupações sociais, e não defender a pontual, precisa e limitada intervenção correctora do Estado.

Esta intervenção não se destina a substituir a mão invisível, nem a nela pegar para a conduzir contra a sua vontade, mas tão só, aqui e ali, repô-la no seu bom caminho.

Quem corrige é o Estado. E o Estado é formado pelos mesmos homens imperfeitos e limitados que formam a vontade do mercado. Qual é a vantagem, então? É que o Estado, e aqueles que o servem, estando fora do mercado e nele não participando podem melhor compreender, para além dos egoísmos somados, a necessidade de corrigir o funcionamento das coisas.

Ou então não, porque são eles próprios seres pequeninos e mesquinhos. Mas então, a acreditar nisso, quem protegerá os que necessitam de protecção? O mercado não, porque já falhou, o Estado não porque falha sempre. Nada resta?

Resta. Acreditar num Estado melhor e num mercado com menos falhas, por acção daquele. Porque isso é possível. Tem de ser.

O que me afasta das definições do Rui de socialismo e de liberalismo acaba por ter uma fonte comum: as preocupações de ordem social.

Para mim o mercado e o Estado não são antagonistas, são instrumentos complementares de criação de bem estar social. Doseados de forma correcta produzem um efeito muito melhor do que a prevalência cega de um deles.

De facto, uma sociedade estatizada nunca pode ser uma sociedade de bem estar. Mas uma sociedade liberalizada também nunca o pode ser. A vantagem moral da segunda opção é que, como nunca foi praticada de forma pura, é mais fácil defender a sua bondade. No mais, para mim, são ambas más soluções se não existir um mútuo equilíbrio. ~

O sitio certo para esse equilíbrio já o deixei indiciado: tanto mercado quanto possível, intervenção supletiva do Estado, no respeito pelos princípios da subsidiariedade (que vem do Direito Comunitário mas é aqui muito útil) e do mínimo dano (idem, oriundo do Direito Civil).

Obrigado

Pela resposta à anterior questão. Ao referir-se a coligação PPD-PSD e CDS-PP como esta direita liberal" o Rui A. diz tudo.

Entretanto, e porque não vale outro post, convém acompanhar nos comentários daquele post a tolerância vigente entre aqueles que, pelos vistos, são (ou fingem ser) grupos liberais concorrentes na conquista da direita como veículo de uma certa ideia de liberalismo.


Concordo

inteiramente, mas acho que é de acrescentar esta provocação: e se assim fosse?

Se a esquerda dominasse as universidades, a cultura e os media o que estão a pedir os liberais? Medidas proteccionistas? Quotas, porventura? Subsídios? Medidas de discriminação positiva?

Não era tudo uma questão de afirmação pelo mérito?

Não era pior

Se os Blasfemos começassem por explicar o que é que a direita tem a ver com o liberalismo e vice-versa, nomeadamente se acham que em Portugal a direita tem sido mais ou menos liberal - na prática, o discurso é para académicos - que a esquerda.

A não ser que, e se calhar é isso mesmo, aquilo seja uma tertúlia de direita, entre os desiludidos com a falta de liberalismo do PND, com a recusa do liberalismo do CDS-PP e com a estatizante política do PPD-PSD.

terça-feira, julho 05, 2005

Enquanto

Vocês perdem o tempo a ouvir José Sócrates dizer as coisas do costume a SComédia está a dar um episódio do Seinfeld.

Por estas e por outras é que ninguém me nomeia para coisa nenhuma. Já não chega aquela mania da desintervenção estatal, ainda por cima falta-me o temor reverencial.

Não sei quem

e agora não me apetece ir ver, disse que o plágio é uma forma de admiração. Fiquei comovido.

Já agora, lá porque elas não escrevem, convém não esquecer que, na Torre, também habitam senhoras.

Afinal não temos o exclusivo.

"PASSING IT ALONG: School officials in Victoria, Australia, say it's too hard for students to calculate equations using the constant 9.8 meters/second/second -- the acceleration of gravity at Earth's surface -- so it's changing the Year 12 physics exam for the Victorian Certificate of Education to use a rounded-off figure of 10 m/s/s.

Close enough? No: "The difference could cause a parachutist or bungie jumper to plummet into the ground, or the launching of a rocket to fail," say people who actually understand physics. After hearing the criticism the Victorian Curriculum Assessment Authority announced that it would not penalize students who used the correct figure. (Melbourne Herald Sun, Australia) ...No penalty for wrong answers, no penalty for the right ones -- modern education in a nutshell."
via thisistrue.

Deliciosa ironia

Daqui:
Por último, queria apenas notar a ironia suprema que transpira do nome de família de um dos organizadores da manifestação xenófoba e racista "pós-arrastão" realizada em Lisboa. Entre os gritos de "Portugal aos portugueses", Mário Machadoevocava "a expulsão dos mouros e dos espanhóis" como exemplo a seguir "para os pretos". Esqueceu-se dos judeus. Sem o saber, o senhor Mário Machado regurgitava alguns dos mesmos argumentos primários usados há cinco séculos pelos antisemitas para expulsar os judeus portugueses - ou melhor, para os obrigar a uma conversão ao catolicismo imposta sob pena de morte. No vocabulário racista e antisemita, o estrangeiro é, acima de tudo, definido pela diferença - na cor da pele, na religião, nos costumes. No caso dos judeus portugueses, que se fixaram pela primeira vez no espaço geográfico de Portugal há mais de 2500 anos, nem as inúmeras gerações nascidas no país, ainda antes da formação da nacionalidade, garantiam que não deixassem de ser vistos como estrangeiros. E foi assim que, há pouco mais de 500 anos, a família ancestral do senhor Mário Machado foi forçada a esconder o seu judaísmo sob um catolicismo de fachada que lhe mereceria a alcunha de "marranos". Inconsciente da sua própria história familiar, Mário Machado é hoje um neo-nazi encartado, um racista e antisemita que cospe na sepultura dos seus próprios antepassados. (Ver ainda Jewish Encyclopedia ? Machado Portuguese Jewish Family Name e Uriah (Machado) Levy - O judeu português que salvou Monticello).

Lealdade Fiscal

Não me ocorre outra justificação para que o Despacho n.º 14412/2005, de 30 de Junho, publicado em Diário da República II Série nº 124, tenha anunciado, urbi et orbi, para quem quiser saber, quais as empresas que serão objecto de fiscalização por parte da administração fiscal no corrente ano.

Portanto, e na impossibilidade prática de reproduzir a totalidade da lista, daqui se saúda a vontade de examinar as contas das seguintes empresas (só vi as começadas por A ou B, mas estão lá os Bancos todos, o que não deixa de ser salutar):

Air Luxor, S. A.
ANA - Aeroportos de Portugal, S. A.
Autoeuropa Automóveis, Lda.
Boavista Futebol Clube Futebol, S. A. D.
Bombardier Transportation Portugal, S. A. (esta não deve ser por acaso)
BRISA - Auto-Estradas de Portugal, S. A.

segunda-feira, julho 04, 2005

Por uma vez subscrevo

2 + 2 não são = 4

Mas neste país, só neste país:

Porque isto:

No encerramento das festas «24 horas a bailar», em Santana, Alberto João Jardim, criticou a entrada em Portugal de emigrantes chineses, indianos e dos países da Europa de Leste.

«Portugal já está sujeito à concorrência de países fora da Europa, os chineses estão a entrar por ai dentro, os indianos a entrar por ai dentro e os países de leste a fazer concorrência a Portugal... está-me a fazer sinal aí porque? Que estão chineses ai? É mesmo bom que eles vejam porque não os quero aqui», disse o presidente do Governo Regional da Madeira..
Mais isto:

Artigo 240.º CP

Discriminação racial ou religiosa

2 - Quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social:

a) Provocar actos de violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional ou religião; ou

b) Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional ou religião, nomeadamente através da negação de crimes de guerra ou contra a paz e a humanidade;

com a intenção de incitar à discriminação racial ou religiosa ou de a encorajar, é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos.

Devia dar direito a alguma coisa.

domingo, julho 03, 2005

Um país que tem o que merece

É o que apetece dizer quando nos apercebemos de que podem vir a merecer um voto de confiança nas urnas nomes como: Avelino Ferreira Torres, Valentim Loureiro, Isaltino Morais e, deus nos livre, Fátima Felgueiras.

Os 4 magnificos, por assim dizer.

sexta-feira, julho 01, 2005

Portugal tem sina

As contas do público sobre quanto valem 0,11% do PIB não batem certo com os valores do PIB usados no próprio Relatório Constâncio nem com os valores do PIB usados nos cálculos do Governo para o OE Rectificativo.

Em vez de 151,4 milhões de euros deviamos falar de 153,7645, se tomássemos como referência o valor do PIB estimado no Relatório Constâncio e 154,143 (arredondado para a milésima superior) se usássemos os valores do PIB estimados no OE Rectificativo.

Sempre são entre 2 a 3 milhões de euros de diferença.

Ou isso ou eu também me enganei nas contas. Sou conhecido por isso, aliás. Mas, menos grave, não sou Ministro das Finanças, Governador do Banco de Portugal ou jornalista do Público. Um relevante facto, pelo qual qualquer uma das três instituições tem falhado miseravelmente em mostrar-se grata.

Habemus

Mestre. Pois então. E vão três ...

Contratação inteligente.


Recebido por email.

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes
[sai às quintas-feiras, quase sempre sem atraso]

(continuação)

III. TAUROMAQUIA

Se descontarmos os extraterrestres, o rapto é coisa que já não se pratica muito. Há por aí, bem sei, uns delinquentes de vão-de-escada que se dedicam à ladroagem de empresários e magnates, exigindo depois, por telemóvel, quantias imodestas para remissão de suas vítimas - que previamente degolaram, ou mergulharam em cal viva, ou o que queiram. Mas eu estou pensando nesses roubadores de gente, como os houve antigamente, que se desculpavam com os impulsos do desejo e executavam os seus desígnios com uma destreza que nada tinha de latrocínio: como fazia Zeus, por exemplo. Não digo, é claro, que agora os homens consigam assim transmudar-se em touros, simulando mansidão, para que ninfas ingénuas corram a ascender-lhes ao dorso; contudo, o desuso do rapto lúbrico deve-se mais à decadência dos engenhos da espécie masculina do que ao facto de vivermos em tempos de menos mitologias. Não sei se me explico bem.
Margarida conhecera Pedro na faculdade, que ambos haviam frequentado pela mesma época, embora em anos diferentes. Margarida (que, aos dezoito ou dezanove anos, pouco sabia de cultura clássica) não se importaria de ter sido raptada, logo desde os primeiros momentos. Davam longos passeios pelo Campo Grande, e Pedro tinha uma maneira vagarosa de a acompanhar que ela erradamente julgou ser sintoma de interesse, se não de requebro. Muito abrasada, afoitou-se um dia a uma conversa em que, como alguns dizem, se declarou, e que foi ainda um estertor sentimental da adolescência; e, pela resposta, ficou sabendo que os gostos de Pedro eram muito outros. Naqueles tempos, Pedro iniciava-se nas aventuras da noite, que então Lisboa oferecia com menos perigos e talvez mais discrição; há certos bares que hoje operam como festivas antecâmaras do sexo e servem uma clientela que nunca surge antes das primeiras horas da madrugada, mas que ainda há dez ou quinze anos serviam cafés e tostas logo a partir das nove da noite. Confortada no seu brio feminil, Margarida secou as lágrimas; e a amizade continuou.
Ora o segredo de uma relação duradoura está muitas vezes num desequilíbrio das forças. Entre Pedro e Margarida sobrevivia uma amizade desigual, que os dois cumpriam como um velho hábito que se não questiona. Em dez anos, todavia, haviam ambos mudado muito. Margarida licenciara-se, com algum esforço e sem distinção. Pedro fizera-se tradutor de inglês e alemão, sobretudo de poesia, e era costume que mostrasse a Margarida as traduções em que se ia ocupando. Para dizer a verdade, Pedro não esperava dela sugestões muito pertinentes, nem Margarida se julgava capaz de lhas oferecer rigorosamente; porém ele simulava o interesse e ela a erudição, e ambos mantinham esse fingimento da colaboração e do respeito. Havia em Pedro, perpetuamente, uma sobranceria pouco agradável que Margarida sabia interpretar e não levava a mal.
- Como vai o Göethe? - perguntou Margarida.
- Não se pronuncia assim.
O Göethe, de facto, não ia bem; dentro de duas semanas, mais ou menos, teriam de estar terminadas as traduções que lhe pedira o maestro Tranchefort, para o programa de um recital de canto e piano em que seriam apresentadas canções de Schubert; e Pedro atrasava-se muito.
- O Göethe não vai bem. Ainda só traduzi o Erlkönig.
- Deixa-me ver.
Pedro abriu o caderno em que escrevia as suas traduções e, sobre a mesa, virou-o para Margarida; os seus gestos, como sempre, eram de uma lentidão por vezes exasperante, o que não resultava de acídia mas de um feitio raro que aborrecia a rapidez. Margarida olhou para o título do poema.
- Não deveria chamar-se O Rei dos Elfos?
- Isso são asneiras dos dinamarqueses. O Göethe sabia muito bem o que fazia.
Margarida pegou no caderno e mudou de posição na cadeira, para ficar mais confortável. O leitor deste folhetim, se quiser, coloque-se comigo aqui por trás dela e, em silêncio, leremos os três, contemporaneamente.

....................O REI DOS ÁLAMOS

....................Tão tarde a cavalo, na noite quem vai?
....................Vão dois: o menino, e o leva seu pai,
....................que ao filho, seguro e por si sobraçado,
....................o traz aquecido, e o julga salvado.

....................- "Meu filho, tu escondes a face porquê?"
....................- "Vejo o Rei dos Álamos; pai, não o vê?
....................Com manto e coroa; é ele que ali está"!
....................- "Meu filho, é neblina, cercando-nos já".

...................."Suave criança, vem cá, vem comigo,
....................vem, vamos brincar! Mostro-te um jogo antigo,
....................e as flores coloridas na costa, e também
....................vestidos dourados que fez minha mãe".

....................- "Meu pai, ó meu pai, esteja atento: escutou
....................o que o Rei dos Álamos me sussurrou?"
....................- "Sossega, criança, repousa sem medos:
....................é vento, soprando por entre arvoredos".

....................- "Vem, anda comigo, rapaz, por que não?
....................Vem ver minhas filhas: receber-te-ão,
....................dançando e cantando, contigo no meio,
....................canções que te tragam, e a teu sono, enleio".

....................- "As filhas, pai, do Rei dos Álamos: viu?
....................Na noite sombria, meu pai, entre o frio".
....................- "Meu filho, bem vejo o que está por diante:
....................Salgueiros, tão-só, de um cinzento constante".

....................- "Eu amo-te; encanta-me o semblante teu;
....................se não vens sozinho, capturo-te eu!"
....................- "Meu pai, estou ficando cativo, meu pai!
....................Tem-me o Rei dos Álamos; quer-me, não vai!"

....................O pai, com horror, esporeou a montada,
....................em braços estreitando a criança assustada;
....................chegou, a final, ao destino e à porta;
....................nos braços do pai, a criança era morta.

- Parece-me bem - disse Margarida. - Sente-se aquele horror romântico da floresta desconhecida.
- Não é nada disso. É um poema sobre um rapto, um rapto lúbrico. Como os de Zeus, entendes?
- Não. Seja como for, parece-me bem.
- Se calhar ainda emendo umas coisas. Pelo menos acho que ficou melhor do que aquela tradução péssima feita pelo Eugénio de Castro, que não respeita a rima emparelhada, nem o ritmo, nem nada. Nem sequer termina com morta, ou morto.
Margarida devolveu-lhe o caderno.
- Por que escreves tudo à mão? Com o computador seria mais rápido.
- Não gosto. Só uso o computador para combinar encontros.
Pedro frequentava esses chat rooms em que os homens permutam informações sobre as medidas do corpo, em diálogos estenográficos que têm as suas regras. Escolhia sobretudo homens casados, que são mais sigilosos e têm mais urgência de vestir-se e partir. Admitia-os quase sempre em casa e transportava-os às suas costas como se fosse um touro branco, justamente. São estas práticas uma espécie de rapto, se pensarmos nisso; e estes homens que reciprocamente se capturam para o sexo estão ligados a Zeus por um ramo de flora genealógica que pode traçar-se em linha recta.
Aconteceu uma vez que um dos homens recebidos por Pedro julgou vislumbrar nele essa ascendência mitológica: o deus remoto disfarçado no touro, nem menos. O dono desse coração raptado era o marido de Margarida.
(continua)