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A Torre de Babel

"Asseguram os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa excepção."

Jorge Luís Borges, A Biblioteca de Babel

 

 

terça-feira, agosto 30, 2005

Não sei porquê


Não estou nada entusiasmado. O novo ponta-de-lança tem um palmarés ... fraquito.

Em 25 jogos pelo clube mais 46 pela selecção marcou 4 (quatro golos).

Isso faz esperar dois golos esta época, a manter-se a média.

Ora, Nuno Gomes e Mantorras fazem o mesmo ou até melhor. Será desta? Temo bem que não.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Na sequência do post anterior

O suícidio poderá ser uma reacção levemente exagerada. De facto:

Poderei ou não

Ir ao cinema esta semana. Mas não me parece que dê aqui conta daquilo que estimo vir a ser mais um fiasco. Em cima da mesa estão, por imposição matriarcal:

- The Island

- Wedding Crashers

O suícido é, naturalmente, uma opção a ter em conta.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Recompensas de um trabalho bem feito

Não gostei.

Não do filme que não vi mas do post que li. Soa (ou devo dizer, lê-se) demasiado pomposo, artificial e cínico. Soa (ou lê-se) como uma daquelas críticas de pacotilha que se encontram nos nossos jornais diários por pessoas que não sabem senão ser críticos de cinema.

Tive de o escrever porque é uma ocasião única. Não porque discorde do que foi escrito ? lá está, não vi o filme, só vi o post ? uma vez que até intuio que concorde (razão para o não visionamento).

Mas porque pela primeira vez a sua escrita me deixou os olhos ? já de si enfraquecidos por amiudes e estéreis leituras académicas apressadas ? amargurados.

Fica a nota.

Assinado,
Leitor assíduo devidamente identificado.

Bom, o Leitor assíduo (assíduo? não tem mais o que fazer?) devidamente identificado fará, naturalmente, melhor. Cá aguardamos para publicação as suas críticas de cinema.

Depois, pomposo, artificial e cínico parece-me um claro exagero quando falamos de um texto que não pretendia ser uma crítica de cinema mas apenas um apontamento da experiência pessoal.

Quanto a soar como se fosse daquelas pessoas que não sabem senão ser críticos de cinema o meu amigo terá de se decidir.

Tinha ficado com a ideia que eu era daquelas pessoas que não sabia ser crítico de cinema. Não sei e não quero ser, que fique bem claro. Ou uma coisa ou outra. Decida-se.

P.S. - Foi a referência ao Backbeat, não foi? Mas porquê ...

quinta-feira, agosto 25, 2005

Perguntas mal formuladas

Em vez de
Fernando Ruas quer saber que autarquias cedem a interesses

Era bem mais útil perguntar quais é que não cedem. É que são mais de trezentos os municipios e a lista vai ser longa.

Reunidas de emergência

As Direcções de Informação dos vários canais televisivos, face à notícia de que Não há fogos activos em Portugal.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Tempo Perdido


The Skeleton Key ou, em português, a Chave (note-se, não a Chave Mestra, que seria a tradução não só mais literal como mais consentânea com o conteúdo cognitivo que se pretende no título original, mas isso é o pão nosso de cada dia) é uma má maneira de passar 104 minutos.

Tirando o trabalho de Kate Hudson, que se afirma como uma actriz com um enorme futuro à sua frente, quase tudo o resto era dispensável. A história é fraquita, pouco original, e mal contada. Tirando uma breve e tímida apresentação do imaginário do Sul nada de verdadeiramente interessante há a registar.

A fotografia escapa, mas não impressiona. A nível de guarda-roupa e continuidade a falta de cuidado é gritante, e isso é sintomático do cuidado posto na produção. Nenhum. Basta ver que, na imagem final, é dado um enquadramento à casa que é o cenário central da acção que desmente o que é mostrado durante todo o filme.

Iain Softley é um realizador que se estreou com "Backbeat", e que ainda tem nesse filme o seu melhor trabalho. Ainda não foi desta que se superou.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Eu não é para me gabar

Não senhor. Mas vejam só este Governo:

UN Category: Civil Rights Lovefest
Civil Rights: Superb
Economy: Very Strong
Political Freedoms: World Benchmark

Em o país real

Durante uns dias, completamente perdido.

Local: Terreola que nem esse nome vale.

Tempo: Fim-de-semana de "festa", significando isso que há um bar que serve cerveja e febras, e que há música pimba, ora gravada ora ao vivo, as 24 horas do dia, aos berros. Ouve-se num raio de 5 km. Má escolha de fim-de-semana, mas enfim ...

Acontecimento: Colunas de fumo à distância - a que distância? E em que direcção irá o fogo que lhes dá razão? Como quem não sabe pergunta vai disto, dificil foi encontrar alguém, só mesmo na "festa".

Pérola de bom senso serrano que demonstra bem a incapacidade de uma educação superior para dotar um gajo da mínima capacidade dedutiva: "Oh amigo, o meu amigo não se preocupa com nada e volta para casa descansado. Enquanto a gente não desligar a música é porque não vem práqui."

quinta-feira, agosto 18, 2005

Não há dois sem três

E tenho cá para mim que no primeiro da série acabei de criar toda uma escola de pontuação, só comparável, para melhor, com a daquele senhor que ganhou um Nobel e acredita piamente que nós ainda não percebemos que os livros dele são (quase) todos variações - artistícas, conceda-se, o seu a seu dono - grosseiras sobre uma mesma ideia.

Oops, i did it again. Estou, evidentemente, a citar essa outra figura da cultura mundial, Britney Spears a (des)propósito das minhas divagações. Bom, onde é que eu ia mesmo? A lado nenhum.

Sei, contudo, isto, e não duvidem, entre uma e outra personagem, a ter de haver escolha - e tem, porque só mesmo eu para os colocar em tão íntima e desnatural convivência - há que alijar o velho comunista em favor da jovem capitalista. Any day. Duvidam?

Fotos indecentemente esbulhadas daqui e daqui.



Momento de (rara) coerência

A imodéstia continua. Julgo poder afirmar, também, que a gravitas é um fenómeno que resulta não só de qualidades imateriais mas também de uma certa dimensão. Daquelas dimensões que se medem já não em metros quadrados mas em metros cúbicos. Corpinho, portanto. Altura, largura e profundidade. Ora isto significa que já não me falta tudo. Pelo contrário, atrevo-me mesmo a dizer que me sobra alguma coisa, se algum depauperado por aí precisar de uma contribuição.

Momento de (não rara) imodéstia

Já percebi o que falta aos nossos políticos em geral mas que Mário Soares ainda tem um bocadinho, única razão que torna minimamente concebível uma eventual candidatura do patriarca a mais um mandato em pleno século XXI: gravitas.

E porque a vida de criminoso é doce

Outro furto:

O décimo resultado mais significativo para a pesquisa "Ana drago" no Google Images é o seguinte conjunto pictórico:


(não sei se repararam, mas isto é o Pires de Lima)

Coisas giras



Furtado daqui.

Feliz da vida

Eu sei de que casta (não) sou e de que casta os outros são. Eles não. A assimetria informativa pode ser tramada. Mas também pode ser divertida. É o caso.

E viva a silly season

Porque sim.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Ando

Ocupado e mais ocupado a tentar perceber porque é que ilustres políticos e jornalistas não percebem as coisas mínimas da vida.

Os assuntos importantes, naturalmente, estão a ser prejudicados, nomeadamente saber se sempre vem ou não o ponta-de-lança.

terça-feira, agosto 16, 2005

Noutro registo

E muito menos importante, mas um mergulho na província produziu as seguintes impressões:

1) É impossível adquirir os jornais do dia, numa cidade de pequena dimensão, a partir das 12 horas. Esgotados. Siml, em Portugal, o país que não lê jornais. Esgotados. à mesma hora, em Lisboa, Porto e Coimbra, aposto, os revendedores faziam contas às devoluções que tiveram de fazer jo fonal do dia.

2) Em ano de autárquicas a reprodução das rotundas em tudo quanto é terra, terrinha, vilazinha ou lugarejo (estou intimamente convencido que se auto-geram a partir do acasalamento de entroncamentos rodoviários com a corrupção autárquica) torna qualquer viagem numa verdadeira aventura digna de um parque temático, com sucessivas acelerações e travagens, já para não falar dos G's laterais.

3) Há por aí um país para o qual muito do que aqui discutimos é pura e simplesmente chinês. O analfabetismo funcional, já para não falar do outro, imperam.

Terceiro mundismo

Parece que a primeira linha de combate aos fogos é muitas vezes assegurada por menores. Sintomático.

Long time

No see.

terça-feira, agosto 09, 2005

Post sequencial

E agora chove. O que é bom para os incêndios mas levemente perturbador.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Ser e Dever Ser

sexta-feira, agosto 05, 2005

Valerá talvez a pena

Ponderar seriamente que estão presentes factores preocupantes na actual conjuntura político-social:

1) O progressivo alheamento da generalidade das pessoas de tudo e mais alguma coisa que interesse ao destino colectivo, com o consumismo desenfreado a substituir carinhos, emoções, convicções e até mesmo religiões. Num país em crise, as "indústrias" mais dinâmicas são as de emprestar dinheiro, os telemóveis, as viagens e, espantemo-nos todos, a venda de porsches;

2) Ausência de capacidade do actual sistema político para gerar soluções de governação estáveis e credíveis. Das eleições de há quatro meses saiu uma maioria absoluta que se apresenta, tão pouco tempo decorrido, exangue, minada por interesses e incapaz de dar respostas;

3) Agravamento das disparidades sociais, com o esmagamento em curso da classe média, em que alguns, poucos, e escolhidos, se safam "para cima" e quase todos são arrastados para baixo. Um país de muitos muito pobres e de poucos muito ricos costuma dizer-se que é sul-americano. Mas também pode ser europeu. Até podemos ser nós.

Tudo isto junto forma um cocktail explosivo. A corrupção que se vai intuindo e que, na sua face pública, cresceu desmesuradamente nos últimos 10 anos, também não deixa ninguém sossegado.

Se não estivéssemos na UE, provavelmente estariamos em sérios riscos de um qualquer golpe de estado, ditadura militar de pacotilha ou coisa que o valha. E mesmo estando, não é de confiar que temos um seguro à prova de tudo. Até porque, e isto é sintomático, se a III República terminar da pior forma, a maioria dos portugueses, no dia a seguir, vai comprar um plasma. Ou merda que o valha.

Como

diria já não sei que personagem do nosso Eça (seria o Ega, esse alter ego?); mas isso agora também não interessa. Certo, certo, é que o próprio Eça, em correspondência, recorria a esta sintética expressão de desagrado: ora sebo.

Embrulha. Boa viagem.

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes

FORA-DE-SÉRIE #0
Uma desculpa e dois anúncios

Eu devo desculpar-me por uma falta, em que se adulterou o meu atraso.
Um atraso é somente uma demora que aumenta a antecipação e, desse modo, desempenha a função mediata de exaltar a sensibilidade das papilas da fruição; e eu não vejo que uma tardança de cinco minutos seja qualitativamente diversa de uma de duas semanas.
Eu projectava, de feito, publicar atrasadamente a sétima entrada deste folhetim, adscrevendo-a retroactivamente à sua data prometida - e anunciar então um encerramento feriado, com retoma na primeira das quintas-feiras de Setembro.
Mas o meu atraso convolou-se em falta irremissível: por estes dias, os meus pensamentos ocuparam-se, em dedicação exclusiva e revoltosos contra a vontade do dono, de questões filosóficas que são exasperantes na medida precisa em que são inúteis, e com que não vou maçar os leitores (que serão maioritariamente, por probabilidade estatística, utilitaristas do intelecto; e talvez bem).
Sucede que dentro de umas horas viajo para Itália, em companhia muito amável (digo bem) e dando causa à publicitação da inveja de amigos. Faltei, pois, e não pleiteio causas justificantes; porém vou encontrando alguma paz no sempre propositado ensinamento do nosso Roquette, que explica que
Falta é propriamente o defeito de obrar contra a obrigação, nascido mais da humana fraqueza que da malícia e depravação do coração.
A depravação do meu coração impele-me seguramente a muitas coisas, Deus seja louvado; mas não à exempção ao convívio leitor. As minhas desculpas.
Antes da despedida, um segundo ANÚNCIO, este de mais importância: vai-se já esboçando, aos poucos, e para publicação ainda em Agosto, a publicação de um
Fora-de-série #1
(especial de Verão)
em que este folhetim - por fruto da comparticipação sereníssima de outras mãos, sentimentalmente educadas - poderá, alfim, tomar uma grandeza de fundo e forma que até aqui não alcançou.
Bons dias, e boa féria.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Originalidades

Portugal é, seguramente, o único país que fecha para férias.

A inveja é coisa feia?

Será, mas é dos primeiros sentimentos que assalta a consciência humana.

terça-feira, agosto 02, 2005

Tarda mas não falha

O abalo emocional provocado pela perda do convívio com 400 cavalos, sendo o cavalo um animal conhecido pela sua afectuosidade, destroçam qualquer um. Mesmo o mais tenaz.

Não crêem? Verão ...

segunda-feira, agosto 01, 2005

O mercado é que sabe

Aquilo dos sobreiros não faz nada bem à saude (cotação BEs, últimos 6 meses):

Dá-me ideia

Assim só, ideia, que o gajo é bem capaz de ter ido de férias à revelia.