Site Meter

 

A Torre de Babel

"Asseguram os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa excepção."

Jorge Luís Borges, A Biblioteca de Babel

 

 

quinta-feira, junho 30, 2005

As coisas que se aprendem

Com as resoluções de Conselho de Minstros:

"o Estado português assumiu o compromisso de enviar uma força terrestre de escalão companhia, com cerca de 160 elementos, para o teatro de operações do Afeganistão."


As mais valias de ter uns livros sempre à mão.

Eu cá

Só queria saber quando é que o template vai a hasta pública ...

Serviço Público: Literatura.

Eu agora estou à espera deste filme...


E presumo que o LDA também esteja.

O Batmobile

A peek inside the real Batmobile

Só porque o carro está mesmo muito bem feito.

Food for thought

Neste artigo da Wired descubro que o episódio-piloto de uma série chamada Global Frequency não agradou ao estúdio que recusou a produção da mesma.

A história podia acabar aqui, não fosse o "maravilhoso mundo novo" da Internet. Alguém disponibilizou o episódio-piloto na Internet, mais propriamente numa rede distibuída chamada BitTorrent.

Escusado será dizer que a popularidade do episódio vai de vento em popa.
""There's a large and growing fan base for a show that never aired," said John Rogers, the show's writer and executive producer, on Wednesday. "Now I have an extra 10,000 hits a week on my website, and I've got to figure out what to do here."

Rogers, who said he had nothing to do with the leak, has already received 350 e-mails from people praising the show. He said he would like to release the pilot as a DVD."

O que suscita algumas questões:
1. Não seria melhor fazer a distribuição do piloto, gratuitamente, pela Internet e depois, se este pegasse, vender a série em DVD?

2. Ou então vender a série aos estúdios só depois de conseguir a audiência na net?

Claro que o estúdio quer apenas invectivar a tecnologia que permitiu que a sua propriedade intelectual fosse distribuída sem sua autorização. Nem sequer comenta se vai ou reponderar a decisão de não produzir a série.

Mais uma novidade do Google.

http://earth.google.com/

Eu, por mim, continuo a achar que o plano deles é dominar o mundo. Pelo menos o virtual.

O 1.º membro da Ordem dos Jedi no Parlamento Británico.

Política legislativa americana

quarta-feira, junho 29, 2005

Falando (brevemente) de coisas sérias

Passou largamente desapercebida e pouco comentada uma prosa levada à estampa, ontem, no DN e rubricada por um ilustre Doutor em Direito.

Diz Carlos Blanco de Morais, sobre uma eventual consagração em lei dessa ideia disparatada de que quem nasce em solo português deve ter nacionaldiade portuguesa, que:

"Assim, jovens criminosos estrangeiros que presentemente são passíveis de expulsão para os territórios de origem deixariam no futuro de o poder ser, depois de devidamente "carimbados" com a nacionalidade portuguesa.

Por outro lado, a imposição do novo critério do jus solis convidará a uma "invasão" de Portugal por ilegais que aqui virão ter filhos "portugueses" e que não poderão ser expulsos do País, já que a Constituição proíbe que os pais possam ser separados dos filhos.

Será, finalmente, que os patrocinadores da revisão legal calcularam a possibilidade de novas manifestações, como a do Martim Moniz, virem a passar de 500 para 5000 participantes, já nos próximos anos?"

A defesa da tese do sangue versus o solo com estes argumentos é uma infelicidade, especialmente num cultor do direito. Aliás, e como seria de esperar, o texto caiu particularmente bem aqui e noutros locais do género.

Cáspite

Que o homem tem mesmo má vontade. Proponho desde já novas formas de luta não é uma demissão. É todo um programa.

De qualquer maneira o meu problema agora é que, tirando Qc3 não vejo outra volta a dar a esta situação absolutamente tramada, depois do caramelo me lixar o juízo com um mais que provável Qb2, questão face à qual tudo o que aqui se tem escrito se desvanece do meu espirito:

1. e4 d5 / 2. d4 dxe4 / 3. Bc4 Be6 / 4. Bxe6 fxe6 / 5. Qe2 Qxd4 / 6. Qb5+ Nc6 / 7. Qxb7 e3 / 8. Qxc6+ Kf7 / 9. Qxa8 exf2+ / 10. Kf1 Qd1+ / 11. Kxf2 Nf6 / 12. Bg5 h6 / 13. Qxa7 hxg5 / 14. Qxc7 Qd7 / 15. Qg3 Qd4+ / 16. Qe3

Perfil de gajos de direita e de esquerda

És um gajo de Direito ou de Esquerda quando só cessas hostilidades com uma demissão da escrita.

O que é que isto nos diz? Que somos gajos do centro!

Face à falta de impacto

Desta polémica no Sitemeter, e já passaram quase 20 minutos, sem que tenhamos passado do pachorrento ritmo de 2 visitas por hora (eu e tu) apelo à cessação das hostilidades, propondo desde já o recurso a novas formas de luta.

Perfil de um gajo de direita II

És um gajo de direita quando te falta a humildade necessária para apreender - ou sequer intuir - que a necessidade de esclarecer a mensagem subliminar surge apenas quando o destinatário tem um cortex monolítico e a capacidade analítica do Luis Delgado. Por falar em gajos de direita.

Perfil de um gajo de esquerda II

És um gajo de esquerda quando tens de alterar os posts porque só depois de passada a oportunidade te chega a ideia.

Perfil de um gajo de direita

És um gajo de direita quando, em vez de arredondar números, dás um jeito na realidade em nome do estilo na prosa, e ainda assim ele te falta desgraçadamente.

Perfil de um gajo de esquerda

És um gajo de esquerda quando arrendondas sempre para cima o número de coisas que fizeste para te martirizares.

Desvantagens

De estar num blog colectivo onde é tudo gente pacata e de boa índole: não há polémicas umbiguistas cheias de neologismos bacocos para puxar pelas visitas. Mas, e daí, o que é que isso interessa? Pouco para nada.

Para os amantes da política e história norte-americana

Ao ponto a que isto chegou

Na dúvida - ou na ignorância - presumir má-fé.

O que é feito da nossa direita?

não há moral cristã?

As Presidenciais

Têm tudo a ver com o post anterior. A esquerda carece de uma figura capaz de se debater com dignidade - já para não falar em ganhar - a Cavaco Silva.

Na ausência de António Guterres e António Vitorino, cada qual por seus motivos, a esquerda confronta-se com uma de três possibilidades:

1) Um candidato digno mas sem possibilidades reais de ganhar - Almeida Santos, Manuel Alegre, entre outros. Em suma, alguém que esteja disposto a candidatar-se e correr, sabendo sempre que não ganhará nunca.

2) Freitas do Amaral - Sou dos que nunca perdoaria ao PS tal opção. Em 1986 era apenas uma criança em termos políticos mas lembro-me bem da fractura no país, no leve sentimento de inquietude que se sentia em certos meios de esquerda. Lembro-me dos sobretudos verdes usados como um quase uniforme pela falange de apoio do Dr. Freitas do Amaral.

Lembro-me de ver, na Av. de Roma, as caravanas dos sobretudos e dos casacos de peles preparadas para as comemorações e do alívio que perpassou pelos meus familiares quando os viram, cabisbaixos, retornar a suas casas. Mário Soares tinha derrotado Freitas do Amaral por uma unha negra e contra todas as expectativas. Desde esse dia que sou de esquerda. Porque isso é - também - combater homens como Freitas do Amaral. Independentemente da pele que vistam em dado momento.

3) Mário Soares - Uma má escolha. Eu sei que não parece, especialmente para quem o ouve falar, mas o senhor tem mais de 80 anos. Será possível exigir-lhe (mais) este sacrificio? Face à opção 2) o velho leão poderá sentir-se tentado a vir a terreiro. Mas é sempre um erro: se ganha, será um Presidente limitado pela sua própria idade, perdendo o estatuto de senador que tem vindo a cultivar desde 1996; se perde, mancha uma carreira política com uma derrota no ocaso da vida.

Em suma, a esquerda não tem como ganhar as presidenciais nem como ganhar com elas seja o que for. Os anos de convivência entre José Sócrates e Cavaco Silva serão uma realidade em breve.

Espero - ardentemente - estar enganado.

Da pressão mediática

Resultam muitas coisas erradas.

Lançar para a praça pública a questão do referendo ao aborto nesta altura resulta menos de uma intenção séria e ponderada e mais da necessidade de capitalizar politicamente a maioria de esquerda, em rampa de lançamento para um ciclo eleitoral decisivo (autárquicas e presidenciais).

E para obscurecer o facto de o Governo, em termos políticos, estar tão obcecado com o défice como em tempos esteve Manuela Ferreira Leite. Então, como agora, muito por causa da falta de capacidade para falar de outras coisas.

A questão é, contudo, daquelas que, pela sua intrínseca qualidade de fracturantes e tendo em conta o que se passou há sete anos, merecia mais respeito. A bem de uma consulta com significado real. Seja a resposta sim ou, novamente, não.

Post em stéreo

terça-feira, junho 28, 2005

O País a beira...do fundo !

Não foi o orçamento rectificativo que colocou o país no fundo. Nem tão pouco o orçamento de um governo demissionário que o presidente da república fez questão de aprovar, não fossem a função pública ficar pouco mais de 3 meses sem aumentos, para afinal hoje se perceber, que os funcionários públicos continuam com os aumentos congelados.

É mais difícil elaborar um OER, com a despesa a decorrer, do que partindo do regime de duodécimos. Talvez daí a dificuldade em acertar a despesa.

O problema de Portugal, não é o défice de 4,1 % ou de 3,2 % ou 6,83 %. Para ser sincero para com que lê, o verdadeiro défice do Estado, é superior a 10,0 %. Porque aos 6,83 %, devem somar-se os resultados financeiros negativos das autarquias, resultantes também dos níveis de endividamento, bem como o das empresas estatais ou públicas, que se alimentam por via de empréstimos à banca ou por despesas no PIDDAC, sem de facto consolidarem para efeitos de apuramento do défice.

O problema de Portugal, repito não é a dimensão do défice, que como disse, até se encontra sub-dimensionado, mas sim a forma de Portugal, actuar em 3 importantes vectores, crescendo sustentadamente acima da zona euro, criando emprego, e onde se assista ao mesmo tempo não a uma redução da despesa pública, mas sim a uma qualificação da despesa pública. E esse tem sido um problema de Portugal nos últimos 10 anos.
O peso do Estado na Economia, excessivo como é o nosso caso, não é prejudicial, per si. Ele é prejudicial, porque toda uma máquina improdutiva, assenta e existe, para que a mesma máquina possa existir. Fosse o Estado uma máquina lucrativa, produtiva, e ninguém ousaria em questionar o peso do Estado.

É óbvio que o governo do Eng.º Sócrates tem em conjunto com os seus pares, um trunfo escondido, e que iludirá em Dezembro, a comissão europeia e a opinião pública. Quer no Pacto de Estabilidade levado a Bruxelas, quer no OER, não foi levado em linha de conta actualização do PIB. Sim porque o governo prevê que o PIB cresça 0,8 % em 2005. E este ?lapso?, irá baixar o rácio Défice/PIB, não porque se tenha assistido a uma descida da despesa, mas sim porque o PIB aumentou. Em Dezembro de 2005, a manter-se o crescimento previsto, o défice não será de 6,2 %, mas sim de 5,7%.

O problema, é que nessa altura, a caravana passa, e os cães aplaudem. E nada mudou.

Num plano fiscal, alude o governo à famosa directiva da poupança, à criação de mecanismos para evitar a lavagem de dividendos, mas nos últimos anos, as melhores lavagens de dividendos tiveram o cunho da PT, e no que à directiva da poupança diz respeito, o governo perdeu toda a credibilidade nesta matéria, quando deixou a CGD, abrir uma sucursal em Macau, território fora do âmbito da directiva, e onde portugueses e não só, poderão continuar a depositar o seu dinheiro, como o Estado a continuar a não receber os impostos sobre juros devidos e assim percebemos que o impacto da directiva será...NULO!

E aqui as responsabilidades não são dos depositários. Mas sim do governo que sendo dono de um banco, permite que esse banco, defraude os cofres do Estado, em largos milhões de euros por mês.

Olhar para o orçamento rectificativo, não é infelizmente transparente, nem tão pouco me parece verdadeiro, por muito que isso custe ao Eng.º. No campo das receitas, não se percebe como uma máquina fiscal desajustada, aliada ao claro sinal promovido pelo governo em aumentar o IVA ? incentivando a fuga fiscal ? vai conseguir cobrar no IVA 200 milhões nesse mesmo combate. No ISP, não obstante a gasolina aumentar todos os meses, e a incidência de imposto ter aumentado, o governo estima cobrar menos 197 milhões, do que o estimado no OE 2005. Menos sentido faz, se percebermos que para Bagão, o petróleo ainda estava em 37 dólares o barril e para Campos e Cunha, o mesmo já está nos 50 dólares. Mesmo que de uma quebra da procura se tratasse, a verdade é que entre 2003 e 2004, houve uma quebra de 7 % na procura, e a receita fiscal aumentou. É assim que se pretende pagar as SCUTS?

A prova que este orçamento não resolve o problema de Portugal, está na quebra prevista face a 2004, em termos de IRC. È verdade que a taxa desceu, mas é verdade que as empresas estão a lucrar oficialmente menos, porque a dinâmica em que assenta a cobrança, está errada. Se dúvidas existissem, no orçamento da verdade, o desemprego não para de subir. Se fosse um orçamento de verdade, dizia-se que em 2006, o mesmo, desemprego, entenda-se, será de quase 10,0 %...oficialmente!

Mas em termos orçamentais, e para a maioria dos economistas, a solução perfeita, seria um reset, às contas do Estado, sobretudo às da despesa, e começar tudo de novo sem uma estratégia. Se pensarmos bem, nem precisamos de detalhar a despesa pública, para percebermos qual é o nosso verdadeiro problema. Dos 35.859 milhões de euros que compõem a despesa do Estado, 74,43 % vão para despesas sociais, 19,74 % para funções gerais de soberania e apenas 5,83 % para funções económicas.

Suficiente para assustar? Não porque o problema do país passa ao lado, do acréscimo de 200 Milhões de euros que o OER decidiu entregar a despesas com formação profissional. Num total, gastamos 1,174 mil milhões de euros ano, em formação profissional, e somos conhecidos por ter os trabalhadores menos qualificados. Isto não foi assim apenas em 2004 e agora em 2005. Tem 10 anos.

Quando ali em cima, me referia a qualificação na despesa pública, era por exemplo aqui que queria chegar. O resultado da política de formação profissional tem servido apenas para enriquecer alguns, e dar um acréscimo aos rendimentos disponíveis dos formandos, sem que daí venha uma verdadeira qualificação para o país.

Os sucessivos governos ainda não perceberam, que a captação de investimento directo estrangeiro não surge só porque o país gasta, fortunas em formação profissional, mas sim porque há problemas estruturais, que ninguém quer resolver.

Perante isto, o ministro das obras públicas, entende, ser este o momento de lançar o aeroporto da OTA, apenas e só porque há fortes compromissos imobiliários assumidos, arruinando o resto que ainda falta, por mais duas décadas.

Bem diz Medina Carreira, quando fala, na injustificada necessidade em continuar o Estado a suportar juros bonificados. São 400 milhões de Euros. E as despesas com os gabinetes de ministros da republica da Madeira e dos Açores, acrescidos dos gabinetes dos ministérios que ascendem na sua totalidade a 600 Milhões de Euros? A primeira podia acabar, e a segunda ser reduzida pelo menos para metade, já que só a Madeira e os Açores levam 400 Milhões em conjunto, para realizar funções que outros poderiam

O orçamento não é o da verdade. E mesmo que rompa com um embuste anterior, não resolve o verdadeiro embuste, a que o país se encontra sujeito.Todos os esforços que temos vindo a ser sujeitos em termos de restrição orçamental, com inerentes custos na economia, conduziram o país onde ?
O verdadeiro problema, é exactamente esse...a estratégia de longo prazo, que assumidamente não existe.

Casos extremos de morosidade processual

No "perfeito" modelo da common law:

"The opening argument in a British civil trial against the Bank of England lasted a record-breaking 80 days as the barrister set out the Bank of Credit & Commerce International's 850 million pound
(US$1.55 billion) case against the bank. Finally, defense barrister Nicholas Stadlen got a chance to make his own opening remarks. "After six months," he warned the court, "the empire strikes back." He easily broke the plaintiff attorney's record, taking 119 days to lay out his defense."

Passando para os filmes de terror série B

Serviço Público

A BBC disponibiliza aqui, gratuitamente, as sinfonias de Beethoven, interpretadas pela Filarmónica da BBC sob a batuta de Gianandrea Noseda.

Infelizmente só as disponibiliza por um curto espaço de tempo, seqencial e individualmente. Hoje encontra-se disponível para download a 6.ª Sinfonia.

Na mesma página pode-se consultar as datas de disponibilização das restantes.

segunda-feira, junho 27, 2005

Batman: o início.


Ontem, culminei o meu fim de semana cinéfilo com uma matiné nas nossas Torres Gémeas. Mantendo o tema das graphic novels, fui ver o Batman: o início.

Para confirmar o que aqui tinha dito.

E confirmei tudinho.O Christian Bale é o melhor Batman de longe, o tom do filme e Gotham estão negros q.b., e os restantes actores vão muito bem (com excepção da Katie Holmes, que não parece ter grande jeito para representar). Aliás, o defeito deste filme - e de quase todos os filmes de super-herois - é a relação amorosa enfiada à pressão. Neste filme o defeito assume proporções maiores pois dificilmente se compreende que Batman, um heroi torturado, obsessivo e vingativo, mantenha um flirt ou uma relação platónica, com o estereótipo da mulher indefesa.

O filme é, objectivamente, o melhor de todos os Batman. Num mundo ideal fariam aparições a Catwoman de Batman Returns (Michelle Pfeiffer) e o Joker do primeiro Batman (Jack Nicholson).

Quanto à primeira, não acalento esperanças; mas já se fala na próxima sequela que trará novamente o Joker ao grande ecrã. Infelizmente os rumores apontam para toda a gente menos para Jack Nicholson.

Espero que estejam todos errados.

Madagáscar - Saborosa gargalhada!


Nada como fugir à realidade... quando não podemos ir mais longe o cinema também é uma opção! Neste caso foi uma boa opção! Um filme de animação, "Madagáscar", foi a escolha!!

O novo filme dos criadores de "Shrek" e "O Gang dos Tubarões", conta a história de quatro amigos residentes no Jardim Zoológico de Central Park, em Nova Iorque. Alex, o Leão, é o Rei da selva urbana e a maior atracção do zoo. Ele e os seus melhores amigos - Marty, a Zebra, Melman, a Girafa e Glória, a hipopótamo - têm vivido num abençoado cativeiro, com refeições a horas e um público que os adora! Mas Marty, sente que há um mundo "lá fora" para descobrir e deixa que a curiosidade fale mais alto!! Com a ajuda de uns prodigiosos pinguins, organiza a fuga de forma a partir em busca do mundo que sempre quis conhecer!

Alex, Melman e Glória seguem Marty e acabam por ser todos capturados e devidamente embarcados para África. A viagem atribulada e mais uma tentativa de fuga acaba por desembarcar os 4 amigos em "Madagáscar! Aqui eles vão descobrir o verdadeiro significado da expressão "a vida, lá fora, é uma selva!". E o que eu às vezes não dava para estar naquela selva!!???

Conclusão evidente

Se só temos de explicar as más medidas Cavaco Silva, nos seus tempos de glória, tinha mesmo razão e nunca se enganava. As medidas dele eram todas boas. A ele, que nem lia jornais, nunca ninguém o ouviu preocupar-se com a "mensagem".

O meu aniversário é já amanhã

Ninguém me quer oferecer isto? Cultura clássica com peso suficiente para esmagar qualquer filosofo candidato a autarca e seu cônjuge.

Vá lá cliquem no link. Neste link. Eu sei que estão/são curiosos.

Eu juro que nem sou grande adepto

das teorias da conspiração. Mas o novo brinquedo do Google dá uns resultados interessantes para a mundialmente conhecida Area 51. O que será aquela enorme mancha branca a norte do complexo principal de pistas?:


Acerca das mais recentes tropelias deste governo

melhor descritas infra nos posts do Irreflexões só acrescento isto...

Já só faltam peixeiradas de Socranetes para que o nosso primeiro seja um clone do anterior.

O que é grave.

Mitos que importa desfazer

A inclusão das SCUTS no Orçamento Rectificativo é fruto de uma opção política mas não existiria nenhuma alternativa, fosse qual fosse o Governo.

É impensável que, até ao final de 2005, estivessem construídas as praças das portagens, reconfigurados os nós de acesso, feitas as expropriações necessárias e adjudicadas as obras de engenharia civil necessárias, renegociados os contratos e obtidas receitas suficientes para pagar a factura do ano.

Dois meses

Update

O Orçamento Rectificativo está, de momento, inacessível (www.dgo.pt). Porque será?

Já não era sem tempo

Com a nova e fácil forma de fazer upload de imagens a blogosfera vai ficar muito mais colorida.

Apropriação

Daqui:

A apresentação de um orçamento rectificativo(OER) numa sexta-feira às 22 horas, não é comum, e terá acontecido, porque desde a primeira hora dificuldades técnicas na elaboração do mesmo associado ao facto de pretender evitar, que o mesmo fosse alvo de elaboradas análises, nos mais diversos jornais de fim de semana.

Os erros que o OE-rectificativo, apresentam, permitem assim, que segundo Sócrates, o embuste orçamental continue, até que os técnicos do gabinete do ministro das finanças, cuja dotação orçamental ascende a quase 5 milhoes de euros, consiga desfazer o erro.

Ora, para um OER, e do lado das receitas, regista-se, que 517 milhoes de euros, surgirão do combate a fuga e evasão fiscal, 250 Milhões de euros como resultado da subida da taxa que irá ocorrer no IVA. Algo que sinceramente não parece exequível.
No OER-2005, o investimento surge com uma dotação de 450 Milhões de euros, algo que no documento enviado a Bruxelas não surge dessa maneira.

Outra contradição, que necessita de ser explicada, surge no lado da despesa, e numa altura que são conhecidos cortes com despesas com pessoal, o OER, faz aumentar a rubrica de despesas com pessoal, passando de 20.181,60 para 21.344,30, que se traduz numa subida de 5,2 % face ao OE-2005.

Temo que o embuste orçamental, não acabe com o OER apresentado, mas sim que o mesmo OER, se converta ele próprio num embuste.

domingo, junho 26, 2005

Sin City: o filme.


Fui hoje - psicologicamente, porque técnicamente hoje já é amanhã - ver o Sin City com a minha namorada e uns amigos. Do grupo apenas eu conhecia as graphic novels, que o filme mimeteia fielmente.

Um grande elogio, apesar de não o parecer. O estilo (preto e branco, com fugazes, e enfáticas, aparições das restantes cores), os diálogos, a violência e a fotografia, tudo coincide com os originais.

Os actores preenchem bem o meu imaginário das personagens.

Todavia...

O filme ficou aquém das minhas expectativas. E isto por uma razão tão simples quanto subjectiva: não consegui uma ligação com o filme. Não me consegui envolver com filme da mesma forma que com as graphic novels. Falta qualquer coisa. Pode ser que seja aquilo que muitas vezes foi apontado como uma qualidade interpretativa, o tom desbragado e larger than life. Não sei.

Sei que todas as personagens e situações do filme me deixaram indiferente, com a excepção de Kevin, o assassínio canibal com a voz de anjo que nunca se ouve (e que confusão fará a alguns ver o pequeno hobbit Frodo neste papel), e Dwight, o criminoso samaritano.

É um filme mediano. Para os fãs, o visionamento é obrigatório, e muitos deles não concordarão comigo; para todos os outros, não recomendo. O mais certo é que considerem o universo demasiado pesado, podendo mesmo sair com a ideia de que este filme é a maior bosta que viram nos últimos tempos.

O que também não é verdade.

sexta-feira, junho 24, 2005

É preciso rigor

Não se pode dizer, sem mais nem ontem, que José Sócrates e o seu Governo exibem "uma arrogância a que nem sequer o Prof. Cavaco se permitiu".

Trata-se de uma falsidade histórica. E estas novas gerações podem ser facilmente induzidas em erro. Sócrates é um amador comparado com Cavaco. Um puto rebelde a dar os primeiros passos. Um amador num campeonato de profissionais.

Cavaco tinha uma arrogância inigualável. Cavaco era o iluminado. Cavaco era aquele que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. Tudo o que corria mal a Cavaco não era culpa dele mas das forças de bloqueio. Cavaco era demasiado importante e demasiado capaz para perder tempo a ler jornais. Cavaco tirou este país da Idade Média e lançou-o no futuro. Duvidam, oh incréus? Perguntem-lhe que ele vos dirá isto mesmo. Basta ler as autobiografias do homem.

Ademais, é o único traço de personalidade que o homem tem. Convém não o menosprezar desta maneira.

Mais

do que reduzir o número de professores destacados nos sindicatos era preciso coragem para acabar com a figura do sindicalista de profissão. Sim, porque aquela gente não exerce a profissão de professor propriamente dita, em alguns casos, há décadas.

Não se vê isto em mais lado nenhum do mundo nem do país. No sector privado quem é sindicalista tem um crédito de horas por mês para exercer a actividade (tipo 2 ou 3 horas) e o resto faz no seu tempo livre. E assim é que tem de ser.

Hugo Quintas

Um português que não beneficia da presunção de inocência.

O mesmo MNE que - e sim, eu sei bem a diferença entre ter (comprovadamente) fumado uns charros num país em que isso é crime e ter (provavelmente) cometido um homícidio brutal, tal como sei a diferença entre o Dubai e o Reino Unido - labutou pela libertação de Ivo Ferreira, que arriscava uma pena de prisão inferior a 4 anos, passa agora um atestado de culpa e a promessa de nada ajudar, um outro cidadão português, que pode vir a ser condenado a pelo menos 15 anos de prisão, ou mesmo a prisão perpétua.

Pela blogosfera a mesma coisa. Desta vez não vamos ter petições.

The highest bidder wins ... or not!

Sobre o negócio Unocal: "It does raise questions about how much of the country we are willing to sell to a Communist country that we might be fighting someday" (in The New York Times, "Unocal Deal: A Lot More Than Money Is at Issue").

quinta-feira, junho 23, 2005

Entre a blogosfera e a imprensa

Há aquela relação amor-ódio que todos tão bem conhecemos. Mas vai existindo também uma relação simbiótica. Há que conciliar as duas coisas. Como em certos casamentos.

Ainda estamos

a pendurar os candeeiros e assim, que é como quem diz, quando nos despejam em cima uma enorme horda (pacífica, como demonstra a placidez das caixas de comentários) de novos leitores.

Sejam bem-vindos. Sentem-se no chão e podemos todos ficar em amena cavaqueira (salvo seja).

Da irrelevância da nossa classe política

Vê-se em muitas coisas, até nas menos evidentes.

Em qualquer país do mundo, se um destacado líder do partido do Governo e o Presidente da República andassem a lançar anátemas sobre o sector financeiro, o Governo ameaçasse reestruturar, pela enésima vez em meia dúzia de anos todo o sector energético, ao mesmo tempo que uma ministra alienava parte do território nacional, a bolsa daria logo um enorme trambolhão.

Como estamos em Portugal e os agentes económicos já se habituaram a dar o desconto, não se passa nada.
Já se pode dizer, qual é a sociedade de advogados que vai ganhar o concurso de assessoria jurídica, do projecto RAVE - Rede de Alta Velocidade, ou ainda é segredo ?


Pista : 595 á hora !

Post em Dolby Virtual

Heresia matinal

O post anterior merecia não ser "tapado". Mas a lógica dos blogues é como é ... portanto, está feito o estrago.

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes
[sai às quintas-feiras]

(continuação)

II. PRÈS DES REMPARTS DE SÉVILLE

Enquanto isso, Amélia dava princípio ao seu dia.

Não se surpreenda o leitor. Ensina-se nas escolas, e nesses compêndios de que gastam os modernos aprendizes do português e das literaturas, que existe uma coisa a que chamam narrador omnipresente. Pois bem: isso é uma calúnia que não faz honra ao labor de quem conta uma história. Não quero dizer que o dom da ubiquidade seja uma quimera que caiba somente nas páginas da mitologia mais fantasiosa; mas é evidente que os verdadeiros donatários são os leitores, não os novelistas. Quem toma em mãos um livro pode sempre galgar capítulos inteiros e situar-se aqui ou além, ou onde lhe apeteça o descanso, e de qualquer poiso vislumbrar o panorama; ainda que isso possa não ser tão simples para o freguês de um folhetim hebdomadário. Mas o cumprimento da escrita impõe, por serviço e obrigação, um percurso rigorosamente numerado. O folhetinista só tem licença para vistoriar um local de cada vez, e nunca antes de tempo.

Na semana transacta, como o leitor trará na lembrança, seguíamos nós com José e com as razões que o norteiam por suas famigeradas terças-feiras (é o termo certo, famigeradas). Lá iremos; por ora, o despertar matinal de uma outra personagem cativou-me a ponderação. O leitor ubíquo, se assim o desejar, pode suspender a leitura e aguardar pelo regresso de José: trá-lo-ei na semana vindoura, ou porventura um pouco mais tarde. Porém eu, obrigado a acompanhar com a escrita os desvarios da minha atenção, sou forçado a intercalar aqui estas outras linhas. Enquanto isso, pois (dizia eu), Amélia principiava seu dia.

- Menina Amélia, já acordou?

Maria assomava ao quarto, algo ajoujada a um tabuleiro em que transportava café, torradas, cigarros e um baralho de cartas. Entreabriu a porta às arrecuas, e foi entrando; pousou o tabuleiro na mesa-de-cabeceira, correu os cortinados e separou as portadas para desimpedir a luz e o frescor da aragem. Não se podia dizer de Amélia que estivesse mal ou bem conservada: essa linguagem de anchovas e pickles não se lhe aplicava com propriedade. Aos setenta e seis anos, aforrara prazeres e liberdades a que o corpo e as faces, naturalmente, não haviam ficado insensíveis: não se tratava de rugas nem sequer de cicatrizes, mas de condecorações. Maria apressava-se, e já vinha sem a farda.

- Eu vou andando, menina, que hoje é terça-feira. O almocinho é só aquecer.

Amélia trouxe à boca o café forte, e depois acendeu um cigarro. Agarrou nas cartas, baralhou-as, partiu-as três vezes e, de olhos semicerrados, volteou-as sobre a colcha: primeiro três cartas, e logo mais quatro. Examinou-as com atenção. Certa vez, numa das tardes passadas na esplanada da Mexicana, Amélia confessara ao maestro Tranchefort que nunca saía da cama sem consultar as cartas. René fizera-se escandalizado: o galicismo, aqui, é menos culpável.

- Não pensei que acreditasse nessas coisas, madame. Espiritismo, bruxarias, e assim.

- Que disparate, maestro. Gosto de estar sempre bem informada, nada mais.

Amélia soubera em todas as épocas ajustar-se aos reveses do mundo, e não se preparava para coisa alguma senão com um dia ou dois de antecipação, quando muito. O presente nunca a defraudava. Conseguia, com um relance, apreciar completamente os vértices de uma ocasião, e reclamar o lugar que entendia pertencer-lhe; aprendera desde cedo as vantagens de situar-se em uma localização precisa, mais que as da estratégia ou as da simples precaução. Por isso, todas as manhãs, interrogava as cartas apenas acerca do restante do dia, e nunca curiosava a propósito das semanas ou dos meses seguintes. Mas René ficara intrigado.

- Um dia há-de deitar-me as cartas.

- As cartas são impiedosas, como dizia a Carmen. Não se meta nisso, maestro.

Também Amélia tivera e entretivera galants, que podiam muito bem contar-se pelas dozenas: os seus leitões, como por vezes dizia. Mas o valete de copas não lhe aparecia havia muitos anos, o que ela encarava com naturalidade. De qualquer maneira, jamais descurava a apresentação. Flamejavam-lhe sempre, para o dizer de algum modo, os cabelos e os lábios; e com os óculos escuros, que só tirava dentro de casa, era já uma dessas mulheres sem idade e sem remorsos cujo passado é denunciado somente por um perfume provocador e por uma certa maneira de caminhar. Desenvolta, sim, mas não era apenas isso. Na esplanada da Mexicana, com uma perna cruzada sobre a outra, Amélia lançava para trás o pescoço enquanto René se inclinava, solícito, para lhe acender um cigarro.

- E se um dia as cartas lhe anunciarem que vai morrer?

- Levanto-me imediatamente e vou tomar o meu banho. Não quero morrer na cama.

(continua)

Imperdível mesmo

Este texto. Infelizmente, sem link directo ou a certeza de que dure muito tempo antes de ser apagado, como de costume, sem qualquer respeito pelo leitor indígena.

Ele há teimosos

Oh João Miranda, quanta teimosia*.

E que tal ler o regime legal? O fundo é administrado por uma das empresas do sector, que centraliza os fluxos financeiros. Funciona quase como um seguro de grupo contra o risco de seca na actividade de abastecimento do Sistema Público de Electricidade. E sim, é obrigatório, tal como o seguro contra terceiros nos automóveis. And? Ou, se quiser ver assim, como uma provisão para riscos futuros.

As empresas deduzem as contribuições para o fundo como custos, e cobram a electricidade, nos anos bons, mais cara do que o custo real de produção e, em troca, recebem compensação do fundo quando têm de praticar tarifas abaixo do custo real de produção causa da seca. Simples, não?

E sim, a medida tem tudo a ver com a seca. A evolução dos combustíveis só releva para a fixação do tal diferencial. Que estava artificialmente baixo porque não reflectia o actual valor de mercado. Só isso.

Ninguém está a subsidiar estas empresas, elas estão-se a subsidiar a elas próprias.

Querem bater no Governo? Força. Eu sou o primeiro. Mas convém que seja com razão.

Mais: já há várias empresas a produzir electricidade sem ser a EDP, até já há outras distribuidoras (nomeadamente a Iberdrola, S.A, a Hidrocantábrico Energia, S.A, a Endesa Energia,S.A., a Viesgo Generación, S.L. e a Unión Fenosa Comercial, S.L.) e o MIBEL é um mercado criado por dois Estados para gerir em comum o declínio dos respectivos monopólios. Veja lá as damas que escolhe.

* Tanta que acabei por desistir.

Mais do mesmo

Ou é de mim ou hoje (melhor ontem) está toda a gente a ver mal as coisas. A blogosfera lusa costumava pautar-se por resistir ao sound-byte fácil. Agora anda tudo preguiçoso.

Por causa do raio do fundo de correcção de hidraulicidade João Miranda e, esta custa mais, um perito em regulação, Vital Moreira (com a habitual simpatia e prontidão Vital Moreira já corrigiu o tiro), dizem, muito afinadinhos, que a medida em causa custa dinheiro ao erário público e faz lembrar a medida tomada por Pina Moura quanto aos combustíveis .

Nada mais errado. O fundo em causa é, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 338/91, de 10 de Setembro, financiado pelas empresas integradas no Sistema Eléctrico de Abastecimento Público (SEP), isto é, EDP e REN, pelo menos.

O Prof. Jorge Vasconcelos - que saudades das aulas dele - é que explica isto bem no Despacho n.º 6/2005 da ERSE (disponível aqui):

A existência do mecanismo de correcção de hidraulicidade permite, em princípio, anular o diferencial de custos de aquisição de energia eléctrica para abastecimento do Sistema Eléctrico de Serviço Público (SEP) resultante da diminuição da produção hidroeléctrica.

Ou seja, funciona como uma espécie de almofada financeira, que se enche nos anos em que chove muito e a electricidade custa menos a produzir, e a que se recorre nos anos de seca, em que a parte hidroeléctrica do sistema não pode ser aproveitada. Em última análise, quem paga e quem beneficia são os clientes da rede eléctrica. Julgo que não haverá objecções.

O Ministro intervém no assunto porque é a ele que cabe, nos termos do citado normativo, fixar um determinado valor de referência que afecta a plena capacidade do fundo para cobrir a variação de custos. E até foi a Entidade Reguladora do Sector Eléctrico que pediu.

A coisa está, até, melhor explicada, ainda que de forma não totalmente clara nesta notícia do DN, que aparentemente também ninguém leu. Hoje, daqui a umas horas, o DN estará nas bancas com uma notícia (link furtado no Causa Nossa) totalmente clarificadora.

De bom a ... pior

Depois de escrever um post notável onde se insurge e bem contra A Capital por esta pretender inverter o ónus da prova contra o CDS a propósito da suposta manipulação dos resultados das eleições directas Paulo Gorjão consegue a proeza de cair de imediato no oposto.

A propósito de rumores que dão como possível a ida de Rui Cunha para a Santa Casa da Misericórdia,concretamente neste post, Paulo Gorjão incorre num equívoco e numa contradição: num equívoco porque, aparentemente, confunde a Santa Casa com a Casa Pia e, depois, numa contradição quando parece achar que é Rui Cunha que tem de provar que não sabia ao invés de ser Adelino Granja que tem de provar que ele sabia (confusos? vão lá ler que já percebem).

Acabo de verificar

Que este homem é de esquerda só que ainda não sabe.

quarta-feira, junho 22, 2005

Agradecimentos II

Além destes importa agradecer os enlaces ao As minhas Leituras, ao Memória Virtual, ao Viva Espanha, ao Tugir, ao Ilhas, ao Destaques a Amarelo e ao grande Kropotkine, assessor de toda a porra e mais alguma.

Petição pública a Santana Lopes

Sem mandato, mas em nome deste desgraçado povo que é o nosso roga-se ao anterior Primeiro-Ministro que observe, com rigor, a popular expressão "Muito ajuda quem não atrapalha", e pare de fazer coisas destas.

A petição está aberta a assinaturas nos comentários, tendo como fonte uma dica do (também) nosso António.

Hoje

Estou a preparar instrumento de tortura para jovens não tão jovens. Vulgo exame universitário. Sem serviços mínimos. A aplicação segue dentro de momentos. Tremam ...

Embuste !

Jorge Sampaio encheu-se de coragem no final da sua legislatura, e acusou ontem o sector bancário de nada fazer pelo país. Como se grave não fosse, ainda sugeriu que muitas vezes a mesma banca promove o embuste, na contratação de créditos ao consumo, crédito automóvel ou no crédito á habitação. A questão é simples para Jorge Sampaio.
As empresas precisam de financiamentos, é necessário capital de risco, torna-se necessário apostar em projectos de inovação. E aqui Jorge Sampaio, afirma ?Há oposição da banca no que respeita a arriscar alguma coisa para as empresas que querem inovar?.
Em primeiro lugar, o sector bancário directo é responsável pela criação directa de mais de 100.000 empregos. O sector da banca responde pela criação directa de 500.000 empregos. Mais de 500.000 famílias portuguesas, tem o seu sustento por via, da simples existência do sector bancário. Durante anos, foi o próprio Estado, esse mesmo Estado, que cometeu os maiores erros para com o sector bancário. Primeiro foram as nacionalizações. Depois a impossibilidade da comercialização de determinados produtos, como o crédito à habitação, que estavam restringidos aos bancos do Estado.
Finalmente, e já com Jorge Sampaio como presidente da república, dele não se ouviram lamentos contra o Estado, pelo facto deste obrigar o pagamento de salários da função pública, de pensões, da domiciliação das contas das tesourarias da direcção geral do Tesouro, da venda de bilhetes da Expo 98, da venda de bilhetes do jogo da Santa Casa da Misericórdia, apenas num só banco...a Caixa Geral de Depósitos.
Muitas destas situações, hoje já estão ?liberalizadas?, mas durante anos a fio, o próprio Estado, foi o principal agente limitador da prestação de serviços por parte da banca, criando um monopólio, assente no banco do regime. É obviamente uma questão de posicionamento do Estado. Mas o mesmo Estado, não pode acusar todo um sector de nada fazer pelo país, se durante anos, esteve quase impossibilitado de o fazer pelo próprio Estado.
Em segundo lugar, e ainda bem, a banca prima pela maximização do lucro. Ao contrário do Estado, e deste mesmo governo que Sampaio tanto apoia, que alinha com as suas medidas retraccionistas, no arrefecimento da economia. O mesmo arrefecimento na economia, que há-de encostar as empresas à parede. O problema não está na falta de apoios á inovação. Eles existem, e seria fastidioso enumerá-los aqui, mas Sampaio deveria conhece-los.

O problema está em na forma como os empresários se posicionam, na forma como eles procuram as oportunidades de negócio, na forma como arriscam. Não é certamente por falta de apoios da banca, que a Zara, líder espanhola no sector do vestuário, não é portuguesa. Não foram os embustes que a banca promove, que impediram, os espanhóis de possuírem a única empresa no Algarve de produção de sumo de laranja. Não foram as prestações com pagamento diferido a 4 anos, que impediram, os empresários têxteis do Vale do Ave, de em vez de reorganizarem o sector, adquirirem veículos topo de gama e moradias no Algarve, á parte do destino que foi durante anos dado, aos fundos recebidos para formação profissional e para reorganizações empresariais. Ora a banca, que se saiba, directamente não recebeu fundos comunitários alguns. Não desperdiçou aquilo que outros fizeram.
Talvez por isso hoje, os lucros da banca sejam hoje motivo de inveja, pelo resto do país. A banca pode não ser um poço de virtudes, mas está muito distante de ser um palco de atrocidades cometidas, perante os cidadãos indefesos.

Se há alguém que contribuiu positivamente durante anos, o crescimento económico, esse alguém foi o sector da banca. Se houve alguém que durante anos, impediu a livre concorrência no sector bancário, esse alguém foi o Estado, preso a determinados interesses.
Alguns dos projectos de inovação que deram o país a conhecer-se lá fora, estão precisamente no sector bancário, de quem são claro exemplo a rede Multibanco e os serviços por eles prestados, ou os pagamentos por via verde. Embuste, são os assessores que Sampaio, tem na sua Casa Civil, nos seus gabinetes e serviços afins, que consomem no orçamento geral de Estado para 2005, quase 14 Milhões de Euros, e que não conhecem por exemplo os PIN ?Projectos Interesse Potencial Nacional, em grande parte financiados pela banca nacional, e que servem de bandeira ao governo para o seu famoso plano tecnológico.
Embuste, é a suposta pretensão de Sampaio, em pretender abrir linhas de crédito na banca - naquilo que constitui um ataque claro e despropositado ao sector - de forma generalizada, sem qualquer rigor, como se de um segundo orçamento geral de estado se tratasse.

Embuste, é confundir capital de risco com as prestações de capital e juros decorrentes de uma renda ou de um financiamento bancário. Embuste é Sampaio de uma forma despropositada querer retornar aos tempos do antigamente. Obrigar a banca, a emprestar dinheiro, aumentar o endividamento das empresas, sem quaisquer critérios, para que daqui a uns anos, se chegue á conclusão que afinal, metade dos projectos não tinham ROI´s ou TIR´s atraentes, para a economia nacional.

Se é um modelo de crescimento com base no endividamento que Jorge Sampaio, pretende, então já o poderia ter dito. É que a economia portuguesa recusa-o. Da mesma forma como o lentamente vai recusando o que o Presidente da República afirma.

Embuste é a personagem que nos últimos 10 anos habitou em Belém.

Post em stéreo

terça-feira, junho 21, 2005

Apontamentos

1) A educação, a saúde a a segurança social representam uma fatia tão grande da despesa pública que, sem se mexer aqui, nada de importante é possível;

2) Idem para a despesa associada a dívida passada;

3) Sendo a defesa nacional importante, é tão importante que deva absorver uma fatia expressiva da capacidade do país investir no seu próprio futuro?

4) O limite imanente aos impostos - a capacidade de serem tolerados pela sociedade - não se aplicará também à solidariedade intergeracional? Ou, dito de outra forma, até quando esperam que os jovens activos, que já pagam impostos (a geração que tem entre 18 e 35 anos, grosso modo) suportem passivamente o progressivo delapidar do seu futuro pelos seus progenitores e avós?

Três coisas rápidas

1) Um novo conceito económico que convém ter à mão não se vá dar o caso: deflação. Simplesmente assustador;

2) Portugal tem novamente um processo por défices excessivos, pelo que Durão Barroso ainda pode vir a ter de praticar actos masoquistas de relevo. Uma situação a acompanhar;

3) Continuamos, enquanto entidade colectiva, a não funcionar. Portugal é, de momento, um conjunto vazio. Vazio de ideias, de vontade, de ideologia, de ... de tudo!

É pá...

Pareço o Irreflexões, três posts de seguida. Isto hoje é tudo meu. Coitados de vós, os leitores.

Nas palavras da nossa maioria, habituem-se.

Grupo de peritos vai avaliar segurança nas prisões

Senhor Ministro, parece-me evidente que a segurança nas prisões é má. Principalmente para os presos. Aliás, tenho para mim que é por isso que estes tentam a todo o custo fugir de lá.

Bem sei

que a OA já admite a publicidade a advogados e respectivas sociedades. Mas acho que não era bem nisto que estava a pensar.

Externalidades Posítivas

Se

soubesses distinguir entre boa e má despesa pública também não era pior, ou é toda igual?

segunda-feira, junho 20, 2005

Breves apontamentos sobre o Caso Freeeport

Andei que tempos, desde Fevereiro, a chatear a cabeça aos poucos que me lêem com a seguinte questão:
Ou o "caso" Freeport existe, caso em que se espera o desenrolar das investigações, sendo ou não José Sócrates Primeiro-Ministro ou não existe e foi um mero frete feito por alguém no MP ao PSD, caso que mereceria, ele próprio, investigação disciplinar e penal.

Agora que Miguel Almeida, assessor (rectius, chefe de gabinete) de Santana Lopes, foi constituído arguido no inquérito ao crime de violação do segredo de justiça subjacente às notícias que tornaram pública a investigação sobre José Sócrates no caso Freeport talvez se perceba melhor a insistência e a dúvida.

Os relatados encontros entre
jornalistas, inspectores da PJ , Miguel Almeida e o advogado Bello Dias, ex-sócio do ex-ministro do PSD Rui Gomes da Silva são, no mínimo, preocupantes.

A ser verdade o que se expende no Expresso, a utilização da PJ, enquanto órgão de investigação criminal, ao serviço de interesses partidários, pretendendo-se, através da actuação da mesma, produzir um trambolhão súbito do PS na fase finalíssima da campanha eleitoral para as legislativas, significa que está tudo em causa e já não se pode confiar em nada.

É por todas estas razões que é muito importante que se esclareça tudinho.


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Sobre a manifestação

Da extrema-direita no passado fim-de-semana e para que não se tente dourar a pílula, um dos organizadores, que até tem blog, escreveu o seguinte trecho revelador:

"O Presidente Judeu e a sua mulher marroquina estiveram pela 3x ao lado dos macacos na Cova da Moura, os nacionalistas estiveram na Baixa ao lado dos comerciantes.".
E si, há mais.

sábado, junho 18, 2005

Primeira remodelação governamental à vista


ASCENSO SIMÕES MANDOU RETIRAR DAS BANCAS EDIÇÃO DE JORNAL REGIONAL DE VILA REAL - Governante corrige entrevista
Resta saber se é demitido ou se se demite.

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Apostilha: Não interessa se sou de esquerda e próximo do PS. Também não interessa se era um pequenino jornal local. Também não quero saber o que é que estava ou deixava de estar combinado com o jornalista. Sendo que um jornalista digno não se sujeitava a nada do género. E o facto de se tratar "só" do Secretário de Estado com a tutela dos bombeiros diz-me outra coisa: numa época de fogos, o senhor achou que andar a reescrevinhar as suas próprias entrevistas era mais importante. Não é para isso que se lhe paga.

Coisas desde sempre mal explicadas

A posição portuguesa em relação a Timor-Leste nem sempre foi, como se faz hoje crer em muitos meios, de apoio intransegente à independência política daquele território.

De facto, em 1999 discutia-se com seriedade, sob os auspícios da ONU, um Acordo Indonésio-Português que previa a integração definitiva de Timor na Indonésia, ainda que com o estatuto de região autónoma.

Porquê dizer isto hoje? Porque me lembrei.

sexta-feira, junho 17, 2005

A Twilight Zone da Internet

Date me Natalie (Portman)

Hmmmm... o que acham, vai resultar?

Há qualquer coisa

como 10 posts (dez), com este 11 (onze) que mais ninguém se intromete entre mim e o blog. Ora isto não era suposto acontecer. Percebem?

Acabei de descobrir

A definição acabada da maior parte dos textos do João Miranda (este, por exemplo). Na Wikipedia, naturalmente. Vejam lá se não vos lembra alguns posts:
The fallacy of the undistributed middle is a logical fallacy that is committed when the middle term in a categorical syllogism isn't distributed.

For example:

All students carry backpacks.
My grandfather carries a backpack.
Therefore, my grandfather is a student.

Dão-se alvíssaras






Facto

da maior importância em termos de política externa de que a imprensa não deu fé. O que é normal. Inacreditavelmente o Bloguitica também não. O que não é normal.

Falo da carta enviada, e isto é significativo, pelos MNE's português e espanhol aos países do Mercosul (disponível aqui). Diplomacia conjunta e com pretensões a marcar agenda.

Nem carne nem peixe, antes pelo contrário

Os iluminados líderes desta nossa Europa tomaram a pior decisão possível sobre o "futuro" da chamada Constituição Europeia.

Porque, e convém sermos claros, esta decisão significa que os franceses e holandeses vão ser chamados segunda (e terceira, e quarta, e quinta, sabe-se lá) a pronunciarem-se, sendo a pergunta feita tantas vezes quantas as necessárias até que, cansados, digam que sim.

É que, juridicamente, o texto em causa só entra em vigor se ratificado nos 25 Estados-membros.

Isto de per se já é grave. Mais grave ainda é assumir que os povos europeus que ainda não procederam à ratificação são acéfalos seguidistas que votarariam agora não, mas que votarão sim daqui a um ano ou dois, pressupõe-se que depois de franceses e holandeses terem sido devidamente formatados para o sim pelos respectivos governantes.

A Europa feita assim, por imposição, nunca será a minha Europa. Nem a minha nem a de muitos outros. Descanse o Governo da nação que eu, por mim, não me esquecerei desta graça daqui a um ano (ou dois) quando me chamarem a votar. Sendo certo que, com o caminho que as coisas levam, o governo da nação poderá até ser, já, outro.

À atenção

da Dr.ª Inês Serra Lopes. O povo trabalhador gostava de conseguir aceder à edição on-line do Independente, isto é, sem ser a edição da semana passada.

quinta-feira, junho 16, 2005

Determinado o fim dos crimes de colarinho branco

Note-se que a participação numa actividade económica legal e lucrativa é incompatível com a participação no mundo do crime porque, por razões óbvias, os agentes económicos valorizam a honestidade dos seus colaboradores e parceiros de negócio.
(Aqui)
Estou esmagado. Estupefacto. Maravilhado. Décadas de obscurantismo terminaram. Notifiquem-se os criminosos. Existe uma incompatibilidade. Decerto, todos pararão imediatamente de fugir à Segurança Social, fazer carrocéis de facturas de IVA, entre tantas outras actividades que, sabe-se hoje, são incompatíveis.

Não sei se ria se chore.

Ainda bem que só pediste uma

O velho Roncinante pede que alguém lhe identifique uma promessa eleitoral que o Governo tenha cumprido. A remuneração é de um cêntimo. O cêntimo é meu. Vejamos:

- Bases programáticas do PS nas legislativas de 2005, ponto II.2: "Criar um programa que disponibilize às PME jovens quadros no campo da gestão e da inovação" (Fonte);

- Resolução do Conselho de Ministros de 24 de Março que cria o Programa Inov-Jovem - Jovens Quadros para a Inovação nas PME. (PDF de 11 páginas disponível aqui)

- Operacionalização a cargo do IAPMEI

- Inscrições abertas desde Junho de 2005.

Depósito no off-shore de Macau, dependência da Caixa Geral de Depósitos, por gentileza.

A montanha pariu um rato

Afinal o "arrastão" de Carcavelos foi um mero produto mediático. É o que dizem as fontes no terreno, citadas pelo Público:

"Apesar do susto provocado pelo "arrastão" e das "dezenas de roubos" mencionados na altura, a verdade é que só uma queixa foi concretizada na esquadra de Carcavelos!"
"Sempre foi comum juntarem-se vastos grupos nas praias de onde depois divergiam pequenos núcleos de oito ou dez indivíduos que particavam assaltos. Concluímos que na sexta-feira aconteceu o mesmo, só que devido às centenas de pessoas que se encontravam na praia o fenómeno tomou outras proporções. De um grande grupo de 400 ou 500 pessoas só 30 ou 40 praticaram ilícitos", afirma o responsável do Comando da PSP de Lisboa."

"Para o superintendente Oliveira Pereira, os assaltos também terão sido decididos na altura na praia e não fruto de uma organização mais elaborada que levasse centenas de pessoas a Carcavelos com intuitos criminosos."

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Breve apontamento para os incautos

A notícia do Público intitulada "Défice do Estado diminuiu 14,2 por cento no início do ano face a 2004 " não significa qualquer melhoria estrutural nas contas públicas nem deve ser levada à conta de boa gestão do PS ou - Deus nos livre - méritos do orçamento de Santana Lopes e Bagão Félix.

Simplesmente, a receita cresceu mais do que a despesa, muito por causa de um aumento na arrecadação de IVA gerado pela saída da recessão técnica e consequente aumento do consumo privado. O aumento da taxa para 21% tratará de provocar a retrocessão do processo. Portanto, nada de optimismos.

Ademais, o que realmente interessaria era observar uma redução de despesa. Isso seria motivo para contentamento.

Por fim, e como se pode ver pelo gráfico, a melhoria é apenas ligeira, representando pouco mais do que uma gota de água no oceano das contas públicas.




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Agradecimentos (act)

Ao Adufe, ao Faccioso, ao A Arte da Fuga, ao Água Lisa (3), à Causa Nossa , ao Ma-Schamba e ao 100nada pelas prontas ligações. Ao Blasfémias pela recomendação. Ao Galo Verde pelo primeiro comentário.

Post em constante actualização (a culpa é do Technorati).

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes
(continuação)

I. PRIMEIRAS APRESENTAÇÕES

Quem se abalance a tomar-me o braço ao longo de estes excursos necessariamente dará comigo alguns passeios, que eu me esforçarei por tornar ligeiros, e intercalados de pausas bastantes para merendar. Por tanto, a cortesia impõe-me que eu de antemão anuncie que nem sempre estaremos a sós - o leitor e eu.
Esta nossa novela não vive, como o leitor decerto compreenderá, sem umas historietas entretecidas, arroba e meia de personagens, umas colheradas de aquilo a que por vezes se chama o picante: e isso impõe-nos, bem vê, alguma companhia. Queira o leitor relevar-me a sobrepopulação destas linhas, em troca de eu o fazer meu confidente.
Competem-me as apresentações; mas não julgue o leitor que, trazendo-lhe eu ao conhecimento umas três ou quatro pessoas, lhes estou afiançando o carácter: é somente para que saiba com quem anda, nada mais. Permita-me, assim, que lhe faça presente, desde agora, a seguinte

Tábua de Personagens
acolitada por extractos dos respectivos registos civis
AMÉLIA
76 anos, solteira
Frequentou a boémia lisboeta dos anos 50; falhou uma carreira em S. Carlos, onde, segundo afirma, teria dado uma extraordinária Carmen; foi fadista amadora, e poetisa menor; e pouco mais; guardou muitos amigos, quase todos hoje falecidos. Apesar de entrada em anos, nada augura a sua própria morte, a qual contudo ocorrerá no transcurso desta novela.
*
JOSÉ
52 anos, espécie de viúvo
Poderia ter sido um excelente pintor, e talvez outras coisas. Cortou relações com a família há anos. Traz para casa, seis dias por semana, uma ou duas caixas tupperware abastecidas numa sopa dos pobres. A roupa que enverga raramente não traz nódoas.
*
MARGARIDA
30 anos, recém-casada com um engenheiro que conheceu on-line
Licenciada em germânicas, trabalha à hora para uma empresa de sondagens telefónicas.
*
PEDRO
32 anos, solteiro
Por ser como que o protagonista deste folhetim, dir-se-á somente que é a sua imperfeição aquela a que se faz alusão no título; sem que isto deva fazer dele, perfeitamente, um homem sem qualidades.
.
Esta incoativa relação de gente, assim apresentada, perfuma uma essência dramatúrgica, que não foi despropositada; mas, como o leitor pôde observar, não há por aqui vaqueiros nem aias da Rainha. Os sucessos documentados nesta novela não tomam lugar no paço, mas principalmente nas ruas da alta e da baixa de Lisboa. Lembra-me agora que o Nemésio, com medo de que os leitores pudessem perder-se no meio de tanta canzoada, também se viu obrigado a manufacturar uma lista dos circunstantes no seu Mau Tempo no Canal. Esteja todavia descansado o leitor, e venha sem medo, que nesta novela não corre semelhante risco de perdição. Se o leitor não frequentou o Nemésio, pois vá lê-lo, e vai bem: mas quando lhe chegar às portas da poesia, dispense-se de mais avanços e torne aqui ao folhetim: sacrifício por sacrifício, este sempre lhe há-de pesar menos.
A nossa Tábua ordenou-se alfabeticamente, para não melindrar alguém. Todavia esta história inicia-se com José, no final de uma manhã de Março: como é seu uso quotidiano, José percorre, caminhando, os três quarteirões que distanciam a sua casa do centro de ajuda alimentar de onde diariamente recebe o almoço, e que é uma variante moderna da sopa dos pobres. Diariamente, não digo bem: às terças-feiras, José não chega a entrar. Os homens guiam-se por razões que, por vezes, sobrepujam o clamor da fome, e é este um desses casos. As terças-feiras passa-as José sem outro nutrimento que não o de uns copos de água açucarada, quando não sobeja algo da comida da véspera: e todavia é nesses dias que o costumeiro caminho é vencido com mais alvoroço. O leitor já adivinha que se ficam devendo à mesma causa a fome e o desassossego.
Hoje é terça-feira, exactamente. O passo de José, não sendo lento, não chega a ser correria. Acompanhá-lo-emos, pois, sem canseira - eu com José, e o leitor connosco.
(continua)

quarta-feira, junho 15, 2005

Após

Demorar mais de uma hora a fazer um percurso em que costumo gastar pouco mais de 15 minutos concluo, com brilhantismo e modéstia, que há muitos mais comunistas do que a expressão eleitoral do PCP poderia fazer crer.



Quanto à morte de Álvaro Cunhal, o que é que se pode dizer que não se tenha já dito? É um ser humano que se perde, um intelectual de primeira água e um tradutor de excelência. Do político não me peçam para falar hoje.

Regressando ainda a sugestões (mais ou menos) cinéfilas

Tenho de meter a minha colherada e recomendar este:


Parece que nasceu sob os auspícios dos deuses, uma vez que tem um bom realizador ( Cristopher Nolan conhecido pelo filme Memento) e Christian Bale que será concerteza um Batman melhor do que Val Kilmer e, sobretudo, George Clooney (heresia, heresia, já oiço clamar as senhoras).

Depois há o resto do elenco, que conta com Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, Gary Oldman, entre outros.

Mas mais importante é o argumento, baseado na banda desenhada Batman: Year One, uma das melhores do heroi e o tom do filme, pois parece que, ao contrário dos filmes anteriores, este fará juz ao epiteto de Dark Knight.

O filme estreia quinta-feira. Podem ver aqui uma crítica de alguém que já viu o filme e é fã da personagem ao ponto de ter realizado a sua própria interpretação do mesmo nesta curta metragem.

terça-feira, junho 14, 2005

Câmara ardente

1. Eugénio de Andrade fez saber que desejava ser enterrado de pijama. Alguém deveria ter-lhe explicado que isso de a morte ser um sono eterno é figura estilística que toma o nome de metáfora, ou coisa que o valha.

2. Por que raio ocorre aos plumitivos e aos comentadores serviçais dizer de Eugénio de Andrade que foi um grande poeta? Sobretudo, um grande poeta é que ele foi. Pelas minhas contas, que actualizei, Eugénio de Andrade prestou, a final, um (e só um) serviço às Letras lusas.

Aberratio ictus

Não percebi se queriam pôr-me na ordem, se pôr-me em sentido.

Para início de conversa

E pondo os meninos na ordem:

Bem dito sejas

Cinema para as massas.



Parece, ou melhor, dizem, que o poster é capaz de ter mais qualquer coisa. Eu não sei. Nunca reparei.

QUOTATION OF THE DAY

"I thought we had a good case this time."
THOMAS W. SNEDDON JR., the Santa Barbara County district attorney, on the acquittal of Michael Jackson, in The New York Times.

Perguntas com respostas

meses e meses que me interrogava:

Freeport

Existiu um "caso" com este nome? Existiu, no remoto mês de Fevereiro deste ano. A vertigem mediática produz este tipo de esquecimento colectivo.

Repito o que disse logo a seguir às eleições:
Ou o "caso" Freeport existe, caso em que se espera o desenrolar das investigações, sendo ou não José Sócrates Primeiro-Ministro ou não existe e foi um mero frete feito por alguém no MP ao PSD, caso que mereceria, ele próprio, investigação disciplinar e penal.
A resposta parece que está a ser dada.

É por estas e por outras que, diz-se, somos o povo da Europa que menos liga à política.

Post em stéreo

Viva o bloco central!

Para meditar à esquerda e à direita:

Dez anos deitados fora, ou seja, cerca de 15% do tempo médio de vida de um português, foi o resultado conjunto das políticas de desenvolvimento económico dos últimos três governos.

Os dados mais recentes do Eurostat, o gabinete de estatística da União Europeia, mostram que o rendimento per capita português, ajustado a diferenciais de poder de compra, foi em 2004 exactamente o mesmo que o verificado em 1995: 73% da média dos 25 parceiros da União Europeia (UE-25).

No mesmo período, a Espanha passou de 87% da média da UE-25 para 98% e a Grécia de 72% para 82%, tendo ultrapassado Portugal em 2002. O Luxemburgo e a Irlanda são os países com melhores desempenhos. Entre 1995 e 2004, o PIB per capita do Luxemburgo passou de 179% para mais do dobro da média da UE-25. Por seu lado a Irlanda que estava na média há 10 anos atrás, passou agora para 139%.

Os dados são pouco animadores também quando os comparamos com os 10 países do alargamento: a economia portuguesa foi ultrapassada pela Eslovénia, a República Checa já está nos nossos calcanhares, e países como a Letónia, Lituânia e a Hungria estão a evoluir significativamente.

Coisas inexplicáveis na actual "crise" económica

Ignorância ou má-fé?

A crónica de Clara Ferreira Alves na revista do Expresso desta semana (sem link gratuito disponível), para além de ser um claro exercício de economias de escala, sendo largamente construída sobre um texto que a autora já tinha publicado antes (este), confunde os regimes das reformas dos políticos e das reformas dos funcionários públicos.

Se tal confusão é deliberada trata-se de má-fé, ao induzir os leitores em erro absoluto. Se, ao invés, é fruto da ignorância é caso para dizer que, numa matéria em que a dimensão jurídica é predominante, se esperava mais de uma licenciada em direito pela Universidade de Coimbra.

Em todo o caso, para alguém que anda "há anos a educar este povo", é pouco, muito pouco.

Registe-se ainda que o nojo da coisa pública que afecta parte dos cronistas da praça não é mais do que uma fachada útil para a durinha realidade das contas por pagar. Vituperam publicamente quem trabalha a troco de dinheiros públicos mas não se abstêm de os receber (com um esgar contrafeito, porventura), quando a ocasião se apresenta. É o caso da Directora da Casa Fernando Pessoa, antiga porta-voz da Expo'98 e co-autora de uns documentários sobre Cardoso Pires, O'Neill e Saramago pagos pela RTP. Entre outras coisas.

Numa coisa Clara Ferreira Alves tem razão: este país não a merece.

segunda-feira, junho 13, 2005

Dia aziago

Para Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal. Depois da morte de Vasco Gonçalves no Sábado é caso para dizer que a morte tem destas coincidências.

Ménage Reloaded

Está apresentável. Acho.

Ménage - ou um post absolutamente dúbio

Pode dizer-se, com certeza, que por muitas vezes que se faça parece sempre a primeira vez.
Falo, naturalmente, da edição da barra da direita sem que tudo corra mal. Foi o caso.

sábado, junho 11, 2005

Estratégia de defesa

"Where I am not undestood, it shall be concluded that something very useful and profound is couched underneath." (- Jonathan Swift)

sexta-feira, junho 10, 2005

A outra senhora...

Julgo ser eu!?! Já me chamaram variadíssimas coisas (Mui Ilustre não raras vezes) mas "a outra senhora" é novidade absoluta. De todo o modo, aqui estou a responder ao chamamento (leia-se e-mail telegráfico, sem os habituais V.Exa., S.Exa. ou Caríssima Senhora) com espírito de missão, que se impõe neste Dia de Portugal, e com o companheirismo e a cumplicidade de uma amizade de sempre com estes outros senhores.

quinta-feira, junho 09, 2005

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes


PRÓLOGO

Rege-se a blogosfera por uma ética dos deveres, não por uma ética das virtudes. Há um punhado de mandamentos que pertencem ao modo da escrita e da colocação de posts, mas os portões estão desimpedidos; e aposta-se numa espécie de darwinismo do mérito como forma de corrigir os excessos de tão lassa franquia. É provavelmente bom que seja assim, sobretudo nestes tempos em que os colunistas assalariados que enxameiam os matutinos saíram notoriamente mal servidos da distribuição dos talentos do espírito. Porém eu guardo uma nostalgia dos tempos em que a subida a uma tribuna impressa sinalizava competências tribunícias, precisamente.

Ora o folhetim é coisa de essas épocas, e hoje não está em uso. É muito possível que não nos sobejem já a curiosidade e o coração para acompanhar amores como os que, naqueles tempos, com quase nada se bastavam para nutrição de muitos meses de fidelidade: de amor se vivia, de amor se morria. Mas que era esse amor? Era um afazer como outro qualquer, como hoje fazer um piercing no umbigo, ou falar ao telemóvel. A alma das pessoas necessita ocupar-se: sem isso, degenera em pensar ou contrai enfermidades que, em certos casos, podem levar ao suicídio. Uma alma industriosa está mais resguardada de tais excessos, porque sabe entrincheirar-se nas múltiplas distracções que nos oferece o chamado dia-a-dia, e pode trotar sem esforço, e com o providencial auxílio de psiquiatras e horóscopos de revista, a caminho de uma morte mais tardia, ainda que mais definitiva.

De todo o modo, eu julgo que as almas degeneradas, se sobrevivas, poderão ainda encontrar algum interesse no género do folhetim; e parece-me que o pátio da blogosfera, que está afeiçoada ao efémero, se ajusta bem à composição de uma novela contemporânea em que as personagens possam ser criadas, como agora se faz com as galinhas, em regime de semi-liberdade. Em princípio, uma personagem de folhetim é mais capaz de felicidade do que as que habitam os livros ficcionados, porque a não constrangem tanto as grilhetas dos capítulos pretéritos: os sucessos de uma personagem folhetinesca estão, de seu natural, menos calhados para o desempenho de lugares importantes na memória dos leitores. O folhetim, como as relações humanas, presta-se à falsificação, e presta-se também ao esquecimento, no que é similar à vida.

É este o vínculo primário que contraio nesta torre de desentendimentos: o de publicar uma noveleta em reabilitação da tradição folhetinesca. Não me iludo: não hão-de ser muitos os leitores; para consolo dos que resistam, deixo palavra honrada de que não haverá meninas penitentes em conventos nem coisas assim; tentarei uma novela dos tempos correntes. O que caracteriza as meninas de hoje é a crise dos trinta anos e, apesar de tudo, alguma falta de sexo; o que, bem vistas as coisas, é apenas uma forma diversa de penitência. Mas neste folhetim poderá nem sequer haver meninas: nada é certo. Isto dito, comecemos.

(continua)

Um dos muitos sinais da decadência de uma sociedade

São estes formalismos excessivos que nos governam o dia. O Sr. não nos chega, por estes dias. Temos de usar o doutor, o engenheiro, o Excelência, o raio que os parta.

Na esclerosada máquina do Estado a coisa está apurada de tal forma que suplanta largamente o risível, todo o gato sapato leva com um Muito Ilustre antes do pomposo título a que ascendeu sabe deus porquê.

Estes apêndices ao nome civil - e não consta que no B.I. surjam títulos académicos, embora os bancos adorem pespegar com os ditos nos cartões, sendo quase impossível convencê-los a deixarem de o fazer- são bem representativos da mediocridade geral. O nome não chega para inspirar credibilidade, é preciso lançar mão do precioso título.

Este protesto é tão mais justificado quanto não tem curso social o título académico de Mestre, o que penaliza fortemente este blog, que já tem um, vai ter dois lá para o mês que vem, três para Outubro e o quarto se e quando ele se mexer e começar a escrever a malfadada dissertação, lá para o ano que vem.

Apostilha: Se Muito Ilustre já é demais, caro Errante (v. comentários), o que dizer de Mui Ilustre? Nem a compreenderiam bem os visados com tal expressão erudita, que tomariam por mera abreviatura ou falta de fôlego, consoante os graus de indigência mental.

Kancho Assassin

E não se conseguirá convencer os espanhóis?

Alta velocidade com veículos em levitação magnética. Brutal. Mais rápido, mais confortável, com menos impacto ambiental e um bocadinho mais barato (diz o vendedor, claro).



Dá para fazer Faro/Beja/Évora/Lisboa/Leiria/Coimbra/Aveiro/Porto/Vigo em pouco mais de três horas, parando em todas as estações. Faz Lisboa-Porto em menos de uma hora, até corta a respiração.

Sim, eu sei. Tenho de largar esta mania dos comboios. Talvez um dia destes ...

Sobre o affaire Campos e Cunha

E depois de ter perdido muito tempo a tentar explicar a coisa de várias maneiras a várias pessoas, tendo já sido apodado de idiota pelo caminho, a partir de hoje passo a dizer só uma coisa:

É uma questão de ética republicana. Ponto, final, parágrafo. E quem não percebe isto não percebe nada.

quarta-feira, junho 08, 2005

Cmoo cofnidu O Senhor a lngiuaegm? Treá msitraduo aissm as plaarvas?

Piada seca em risco de ser classificada catástrofe natural com consequente atribuição de linha de crédito.

Da origem dívina deste blog

Para que fique bem claro:

Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra.

Génesis, 11, 1-9

Já percebi que hoje não

E, portanto, aproveito só para esclarecer que a imagem que nos rege é um quadro de Pieter Bruegel (1525?-69), conhecido como, surpresa das surpresas, The Tower of Babel , e que importa não confundir com este outro:

Image

que se chama The "Little" Tower of Babel e que, sendo do mesmo autor, é posterior.

Bom

Já passaram 10 (dez) minutinhos e ainda ninguém se chegou à frente. Começamos bem. Esta coisa não morde.

nos conhecemos bem demais para sabermos bem no que isto vai dar.

Eu darei enormes secas sobre isto e aquilo, e sobre política. Vocês farão o que bem entenderem. Estamos todos em nossa casa.